Tempo em Lafaiete: Hoje: 31° - 14° Agora: 29° Sexta, 29 de Maio de 2026
Rogéria Ramos


Quando a cidade precisa refazer o que já deveria estar pronto




Nos últimos meses, o Conselho Municipal de Saneamento Básico (COMSAB) deliberou recursos importantes para obras em diferentes regiões de Lafaiete. Foram investimentos destinados à Rua Geraldo Gervão, à Rua Vereador Léo Franco e, mais recentemente, ao Bairro Novo Horizonte. Todas essas intervenções possuem algo em comum: representam tentativas de corrigir problemas estruturais que poderiam ter sido evitados com mais planejamento, fiscalização e responsabilidade na execução de obras públicas e na aprovação da expansão urbana da cidade. Infelizmente, esse debate não é novo. A própria obra da Marechal Floriano Peixoto, executada na gestão passada com recursos provenientes do COMSAB, acabou se tornando exemplo de uma situação que preocupa a população: uma intervenção que deveria representar solução definitiva passou a exigir novas correções e novas intervenções do poder público.

E esse talvez seja um dos pontos mais delicados do debate urbano em Lafaiete. Porque realizar obras, por si só, não basta. É necessário garantir qualidade, eficiência técnica e capacidade real de suportar as necessidades da cidade ao longo do tempo. Quando uma obra pública apresenta problemas pouco tempo após sua execução, o prejuízo vai muito além do financeiro. A população perde confiança, os transtornos continuam e o município acaba precisando direcionar novamente recursos públicos para corrigir aquilo que já deveria estar resolvido. Ao mesmo tempo, bairros como Novo Horizonte, Santo Agostinho e Rochedo mostram que muitos problemas urbanos possuem origem ainda mais profunda: crescimento acelerado sem a infraestrutura adequada acompanhando esse processo. Os efeitos aparecem anos depois, através de erosões, drenagem insuficiente, desgaste precoce das vias, riscos estruturais e investimentos milionários destinados a intervenções corretivas. E a cidade precisa ter maturidade para discutir isso de forma séria. O debate não pode ser reduzido a disputa política permanente. Mas também não pode ignorar responsabilidades históricas. O desafio é compreender que Lafaiete precisa romper um ciclo onde o poder público frequentemente acaba utilizando recursos públicos para corrigir situações que poderiam ter sido evitadas na origem.

É justo reconhecer que a atual gestão não criou muitos desses problemas. Mas também é justo reconhecer que ela acaba assumindo a responsabilidade de enfrentar situações herdadas e buscar soluções para demandas que afetam diretamente a vida da população. Obras estruturantes são necessárias. Investimentos em infraestrutura são fundamentais. Mas a cidade também precisa avançar em planejamento urbano, fiscalização técnica e responsabilidade na execução dos projetos. Porque desenvolvimento urbano não pode significar apenas crescimento territorial. Precisa significar qualidade, segurança, sustentabilidade e compromisso com o futuro. E principalmente: a população não pode continuar pagando, repetidamente, pela falta de planejamento e pela baixa qualidade de intervenções que deveriam servir para resolver problemas e não para criar novos.



Você está lendo o maior jornal do Alto Paraopeba e um dos maiores do interior de Minas!
Leia e Assine: (31)3763-5987 | (31)98272-3383


Escrito por Rogéria Ramos, no dia 29/05/2026

Rogéria Ramos


Rogéria Ramos, presidente da Associação dos Moradores Unidos do Bairro Santo Agostinho E-mail [email protected] Instagram @rogeriaramosss


Comente esta Coluna