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Rogéria Ramos


A conta que a cidade não deveria pagar



Quando erros nascem no processo, o prejuízo não pode terminar no interesse público.Há um limite que uma cidade não pode ultrapassar: o de pagar, com dinheiro público, por erros que nasceram fora dela.Em muitos casos, esse limite já foi cruzado.Problemas urbanos não surgem de repente. Eles não começam nas ruas. Começam antes, nas decisões que autorizam, validam e permitem que determinados empreendimentos avancem.O tempo apenas revela o que não foi feito com o rigor necessário.

Em diferentes pontos da cidade, moradores convivem com uma realidade que reconhecem: o que foi entregue não corresponde ao que foi prometido. A estrutura não acompanhou o crescimento e os problemas apareceram. Mas quem vive ali sabe que isso não começou agora. Já estava comprometido desde o início.Isso não é um desvio. É um padrão.

E padrões não surgem por acaso. Eles são resultado de processos.As falhas se repetem: drenagem insuficiente, instabilidade do solo, infraestrutura incapaz de sustentar a ocupação que ela mesma autorizou. E o impacto não se limita ao empreendimento. Ele avança sobre a cidade, compromete vias públicas, afeta a segurança e altera a rotina de quem nunca participou daquela decisão.

E então vem a etapa mais sensível: a correção.Quase sempre, feita com recursos públicos.É nesse ponto que a discussão precisa mudar de nível.Porque, se a origem está no processo que permitiu aquele resultado, não há justificativa para que a consequência continue sendo absorvida pela cidade.

Quem loteou, projetou, aprovou, executou e lucrou não pode desaparecer quando os efeitos aparecem. Responsabilidade não termina na entrega. Ela se estende no tempo e, principalmente, nas consequências.Transferir esse custo para o coletivo não é apenas uma distorção. É a institucionalização do erro.

E quando isso se repete, deixa de ser exceção. Passa a ser método.Cidades que amadurecem não tratam isso como inevitável. Elas interrompem padrões, corrigem rotas e estabelecem critérios claros para que o prejuízo não seja socializado enquanto o benefício permanece privado.Há um ponto que precisa ser afirmado com clareza: o interesse público não pode continuar sendo o destino final de falhas que nasceram fora dele.

Obras corretivas são necessárias. Mas, sozinhas, não resolvem um problema que nasce no processo. Lafaiete precisa avançar. Mas avançar, neste caso, não é crescer mais. É crescer melhor. Com responsabilidade, com critério e com a coragem de enfrentar aquilo que o tempo já demonstrou que não funciona.Porque a cidade sente.E quando o erro se repete, a conta sempre chega.Mas ela não pode continuar sendo paga por quem nunca participou da decisão.



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Escrito por Rogéria Ramos, no dia 30/04/2026

Rogéria Ramos


Rogéria Ramos, presidente da Associação dos Moradores Unidos do Bairro Santo Agostinho E-mail [email protected] Instagram @rogeriaramosss


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