À medida que o calendário civil se aproxima do seu fim, uma sensação familiar nos envolve. É um tempo de balanço, de olhar para trás, de refletir sobre as alegrias e os desafios do ano que passou. Da mesma forma, a Igreja, nossa mãe e mestra na fé, também nos convida a viver um ciclo semelhante, um ritmo espiritual que encerra um capítulo para dar início a outro: o fim do Ano Litúrgico e o começo do Advento. Neste final de ano da Igreja, celebramos a Solenidade de Cristo Rei do Universo. A palavra "rei", no entanto, pode nos trazer uma imagem distante, de poder e majestade. Mas, à luz do Evangelho, descobrimos que o reinado de Cristo não é de poder, mas de serviço; sua coroa é de espinhos e seu trono é a Cruz. Celebrar Cristo Rei é, portanto, um convite para fazermos um balanço em nosso coração: ao longo deste ano que passou, a quem ou a que nós servimos? Deixamos que o amor, a misericórdia e o perdão reinassem em nossas vidas, ou fomos governados pelo medo, pelo orgulho e pela ansiedade? Este olhar para trás não tem a intenção de nos acusar ou nos encher de culpa. Pelo contrário, é um momento de profunda cura. É a oportunidade de reconhecermos onde caímos, onde nos sentimos fracos, e permitir que o amor de Deus nos cure. É olhar para nossas feridas não com vergonha, mas com a certeza de que o Rei que servimos é o Bom Pastor que nos busca e nos restaura. O ano litúrgico possui um ciclo diferente do ano civil.
O ano civil encerra em 31 de dezembro e o ano litúrgico se encerra no domingo que antecede o início do Advento, com a festa de Cristo Rei. O ano litúrgico é a celebração da misericórdia que nos encontra, fecha nossas feridas e nos diz que é sempre tempo de recomeçar. E é com essa certeza que abrimos as portas para um novo tempo: o Advento. O Advento é muito mais do que a simples espera pelo Natal. É um tempo de arrumar a casa do coração. É a estação da esperança ativa, de preparar a manjedoura da nossa alma para que Jesus possa nascer de novo em nós. Se o fim do ano foi um tempo de olhar para trás e ser curado, o Advento é o tempo de olhar para frente e ser transformado. O amor de Deus nos transforma ao nos dar, a cada ano, uma nova oportunidade de começar de novo. Ele nos convida a deixar para trás os velhos hábitos que nos aprisionam, as mágoas que pesam e as incertezas que nos paralisam.
O Advento é o tempo de acender a vela da esperança no meio da escuridão, de vigiar e de preparar o caminho para Aquele que vem nos trazer a salvação. É a promessa de que não estamos fadados a repetir os mesmos erros, mas que uma vida nova é sempre possível. Este ritmo, este ciclo de encerrar e recomeçar, é a forma como o amor de Deus nos sustenta ao longo de nossa jornada de fé. A sabedoria da Igreja nos oferece um mapa para o tempo, um caminho seguro que nos impede de vagar sem rumo. O ano litúrgico nos recorda, a cada estação, que não estamos sozinhos. Somos acompanhados por uma história de salvação que se renova e por um Deus que caminha conosco. Portanto, ao vivermos esta bela transição, que possamos abrir o coração. Que a celebração de Cristo Rei nos traga a cura da misericórdia ao olharmos para nosso passado. E que o Advento que se inicia nos encha de esperança, transformando nosso presente e nos preparando para um futuro onde o amor de Deus se manifesta de forma sempre nova e surpreendente. Que seja um tempo santo de cura, transformação e de profunda confiança nesse Deus que nunca nos abandona.
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Escrito por Padre Ezequiel, no dia 19/11/2025
Padre Ezequiel Dal Pozzo é sacerdote da Diocese de Caxias do Sul (RS). Cantor, escritor e compositor, lidera o Projeto Despertai para o Amor, de evangelização através da música e dos meios de comunicação. Já lançou 7 CDs e 2 DVDs e 4 livros e viaja pelo Brasil com shows musicais, palestras, missas e pregações.
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