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Padre Ezequiel


A paz que buscamos: uma construção da alma ao mundo



A paz. Poucas palavras ecoam com tanta força em nossos desejos mais profundos. Em um mundo marcado por guerras, polarizações, ansiedade e conflitos – externos e internos –, a busca pela paz se tornou a peregrinação essencial da nossa era. Mas, onde encontrá-la? Muitos a procuram na ausência de problemas, na estabilidade financeira ou no silêncio de um lugar remoto. No entanto, a sabedoria da fé nos ensina que a verdadeira paz é algo muito mais profundo: é uma construção que começa na alma e se espalha como ondas, pacificando nossos lares, nossa sociedade e, por fim, o mundo. O primeiro campo de batalha pela paz é o nosso interior. Vivemos com a mente acelerada, atormentados por medos, ressentimentos e a busca incessante por uma felicidade que sempre parece estar no futuro. A paz interior não é a ausência de sentimentos, mas a coragem de administrá-los. Ela nasce quando trocamos a murmuração pela gratidão, quando escolhemos perdoar em vez de carregar o peso da mágoa, e quando aprendemos a aquietar a alma para ouvir a voz de Deus. Como nos ensinou Jesus, a paz que Ele nos dá "não é como o mundo a dá" (João 14:27).

É uma serenidade que pode coexistir com a tempestade, uma confiança inabalável de quem se sabe amparado pelo Bom Pastor. Uma vez encontrada essa fonte interior, a paz transborda naturalmente para nosso primeiro e mais importante círculo de convivência: a família. A paz em casa não é a ausência de discussões, mas a presença constante do perdão. É a decisão diária de "suportar-se uns aos outros em amor", de construir pontes através do diálogo e de fazer do lar um refúgio seguro, um "oásis" onde o coração se aconchega. Em uma era de telas que isolam, a paz familiar exige a coragem da presença, do olho no olho, do tempo de qualidade que vale mais que qualquer riqueza. Mas a paz não pode ser aprisionada entre quatro paredes. Uma paz autêntica nos impulsiona para a sociedade. Jesus não nos chamou a sermos "pacíficos", apenas evitando conflitos, mas a sermos "pacificadores" (Mateus 5:9), agentes ativos na construção de um mundo mais justo e fraterno. A paz social não é a ausência de barulho, mas a presença da justiça.

Ela é construída no respeito por quem pensa diferente, na honestidade, na recusa em participar de discursos de ódio e na ação concreta em favor dos mais necessitados de nossa comunidade. Ela exige organização, diálogo e a coragem de sonhar juntos. Finalmente, sonhamos com a paz no mundo. Diante das grandes guerras, podemos nos sentir impotentes, mas a fé nos lembra que nenhuma oração é em vão. A paz mundial, como profetizou Isaías, é o sonho de Deus de transformar "espadas em arados". Essa transformação, no entanto, começa no coração de cada um de nós. A guerra externa é um reflexo das guerras que travamos internamente. A paz é um caminho que parte do silêncio do coração, floresce na harmonia do lar, se compromete com a justiça na sociedade e reza com esperança pela fraternidade universal. Que o amor de Deus, nos cure de nossas inquietações, nos transforme em construtores da paz e nos sustente nesta que é a mais bela e urgente de todas as missões.



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Escrito por Padre Ezequiel, no dia 24/10/2025

Padre Ezequiel Dal Pozzo é sacerdote da Diocese de Caxias do Sul (RS). Cant


Padre Ezequiel Dal Pozzo é sacerdote da Diocese de Caxias do Sul (RS). Cantor, escritor e compositor, lidera o Projeto Despertai para o Amor, de evangelização através da música e dos meios de comunicação. Já lançou 7 CDs e 2 DVDs e 4 livros e viaja pelo Brasil com shows musicais, palestras, missas e pregações.

Contato: [email protected]



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