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Coronel César


O delírio algorítmico: como a dissonância cognitiva molda os extremos políticos



Num contexto político global que se torna cada vez mais polarizado, um fenômeno psicológico se destaca como o motor do radicalismo: a dissonância cognitiva. A incapacidade de aceitar informações que desafiam crenças profundamente enraizadas é uma arma maligna que sustenta tanto a extrema direita quanto a extrema esquerda. Entretanto, uma análise objetiva da atualidade demonstra que, embora esteja presente em ambos os lados, essa fuga da realidade se manifesta de maneira mais evidente e fértil, especialmente na ex­trema direita.

 Esta manifestação contemporânea da direita radical é o re­sultado direto de uma midiosfera extremista, um ecossistema digital que funciona como uma câmara de eco. Em seu interior, dados são trocados por narrativas, a discordância do pensamento predominante torna-se algo terrível e combatido de maneira a criar inimigos, mesmo que imaginários, gerando bolhas com pensamentos padronizados, mesmo que ilógicos ou até mesmo irracionais. Esse delírio coletivo é fruto de uma operação metódica de setores que se dedicam a criminalizar personalidades, instituições e pilares democráticos como o processo eleitoral, a educação, e os próprios direitos sociais.

 A visão de mundo da extrema direita exemplifica perfeitamente como a lógica algorítmica foi transferida para as interações entre as pessoas. O caso brasileiro é privilegiado para essa análise, pois o bolsonarismo se torna incompreensível sem o sistema midiático de desinformação programática que o sustenta. Esse aparato não se limita a veicular notícias falsas; ele é uma fábrica de realidade paralela, que manipula emoções, dissemina teorias conspiratórias e reconfigura a percepção do mundo real. Entretanto, seria ingênuo e abstrato enxergar esse fenômeno como uma exclusividade brasileira.

 Das campanhas do Brexit no Reino Unido ao movimento America First nos Estados Unidos, a mesma estratégia se repete: uma esfera midiática complexa, conectada por fóruns e redes sociais, que trabalha para forjar uma consciência coletiva alternativa. Mesmo sendo narrativas distintas, têm mesma função: criar um inimigo unificador e inatingível, cujo combate justifica qualquer ruptura com o pacto democrático. A dissonância cognitiva transforma um erro pessoal em uma estratégia política universal. Esta crença em estórias que não têm base na realidade não é um sinal de falta de conhecimento, mas sim o resultado de uma intensa manipulação que se aproveita de fragilidades e acentua divisões sociais.

A crise política do nosso tempo, portanto, é, em sua essência, uma crise de realidade. A dissonância cognitiva, potenciada e manipulada por poderosos meios de comunicação e amplificada pelos algoritmos se transformou na cola que une os seus adeptos a projetos políticos tanto da extrema direita ou esquerda. Enquanto a lógica de algoritmos que geram inimigos e simplificam nuances continuar a superar o diálogo democrático, a evasão da realidade será um dos recursos mais ameaçadores nas mãos dos extremos. Identificar esse mecanismo é o primeiro passo para desmantelá-lo e recuperar um espaço público onde fatos, e não fábulas, possam finalmente orientar a discussão. Vamos sair de nossas bolhas e transformar nossa sociedade em um espaço melhor e mais humano???



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Escrito por Coronel César, no dia 23/10/2025

Porta-Voz da Rede Sustentabilidade


Coronel José César de Paula
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