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Padre Ezequiel


A estrela que permanece: encontrando consolo na saudade e esperança na eternidade



A experiência da perda é, talvez, a mais universal e dilacerante das dores humanas. Quando alguém que amamos parte, um pedaço de nós parece ir junto, e o que resta é um vazio preenchido por uma saudade que, em alguns dias, dói como uma brasa no coração. O luto é uma jornada solitária e, muitas vezes, nos perguntamos como seguir em frente, como encontrar alegria novamente. Em meio a essa dor, somos convidados a um exercício de fé e memória. É preciso enxugar o rosto e sair, mesmo que metaforicamente, para conversar com quem partiu.

Não em um diálogo com fantasmas, mas em uma comunhão de alma, resgatando as lembranças dos gestos simples que construíram o amor: o beijo de boa noite, as conversas cotidianas, os momentos compartilhados sob o mesmo céu. A morte não tem o poder de apagar o amor que foi vivido. Muitas vezes, a saudade aperta, e a sensação de ausência parece insuportável. Sentimos falta, e é importante validar esse sentimento. Mas a fé nos oferece uma perspectiva transformadora, um consolo que transcende a dor da separação física. Ela nos convida a olhar para cima, para o céu, não como um lugar distante e inalcançável, mas como uma nova morada, a "casinha" onde nossos entes queridos agora vivem na plenitude da presença de Deus. Assim como uma pequena estrela que, mesmo distante, brilha intensamente na escuridão da noite, o amor e a lembrança de quem partiu continuam a iluminar nossa existência. 

A fé nos garante que eles não deixaram de existir; apenas mudaram de endereço. E de lá, de sua nova morada, continuam a nos olhar, a nos amar. Essa certeza não elimina a dor da saudade, mas a ressignifica. A saudade deixa de ser apenas a dor da ausência para se tornar também a doce lembrança do amor que foi e a esperança do reencontro futuro na eternidade. É a compreensão de que o vínculo do amor é mais forte que a morte. O amor de Deus, nesse contexto, nos cura ao nos permitir sentir a dor do luto sem sermos consumidos por ela, oferecendo a esperança como bálsamo.

 Ele nos transforma ao mudar nossa percepção da morte, de um fim absoluto para uma passagem para a vida eterna. E nos sustenta com a certeza de que, mesmo separados fisicamente, permanecemos unidos pelo amor e pela comunhão dos santos. Portanto, quando a saudade apertar, enxugue o rosto. Olhe para o céu e procure a estrela mais brilhante. Ela é um sinal, um lembrete do amor que não morre, da vida que continua e da esperança que nos une àqueles que já vivem na luz eterna de Deus.



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Escrito por Padre Ezequiel, no dia 25/09/2025

Padre Ezequiel Dal Pozzo é sacerdote da Diocese de Caxias do Sul (RS). Cant


Padre Ezequiel Dal Pozzo é sacerdote da Diocese de Caxias do Sul (RS). Cantor, escritor e compositor, lidera o Projeto Despertai para o Amor, de evangelização através da música e dos meios de comunicação. Já lançou 7 CDs e 2 DVDs e 4 livros e viaja pelo Brasil com shows musicais, palestras, missas e pregações.

Contato: [email protected]



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