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Rogéria Ramos


Água, vida e verdades que resistem em Lafaiete



Há decisões que nascem para encerrar histórias, e há vozes que se recusam a deixar que elas terminem antes que a verdade apareça. O que vale mais: a pressa de abrir uma estrada ou a permanência da água que sustenta a vida? Nos últimos meses, Lafaiete tem assistido a mudanças em áreas verdes que sempre estiveram ali, discretas e fiéis à sua missão: segurar o solo, filtrar a água, abrigar o silêncio das nascentes e o canto dos pássaros. Bastou um corte impensado, uma terra mal contida, para que décadas de equilíbrio se perdessem em poucos dias de chuva.

 A obra do prolongamento da Avenida Professor Manoel Martins teve início na gestão anterior e, ao longo do tempo, suas intervenções impactaram áreas verdes essenciais para o equilíbrio da cidade. Quem passa pelo prolongamento da avenida talvez veja apenas máquinas, concreto, asfalto e progresso. Mas quem olha com atenção percebe algo mais profundo: água turva, lagoas sufocadas por lama, árvores tombadas, a natureza tentando respirar entre os escombros da pressa. Isso não é futuro, é o presente pedindo socorro.Um laudo técnico confirmou o que o olhar atento da população já sabia: houve desmate, intervenção em áreas de preservação permanente e assoreamento de nascentes. Não é só o verde que se perde, é a segurança de quem mora, a estabilidade do solo, o equilíbrio da própria cidade. Onde antes havia nascente, hoje há incerteza.Mas o que mais preocupa é o silêncio.

 O silêncio das decisões tomadas sem escuta, sem debate público, sem a participação de quem vive os efeitos. O progresso que não dialoga é, no fundo, uma forma de retrocesso. Porque toda vez que a comunidade é deixada de fora, perde-se algo maior do que árvores, perde-se o direito de existir com dignidade. Não se trata de ser contra obras. Trata-se de exigir que elas sejam feitas com consciência, transparência e respeito. O verdadeiro desenvolvimento não se mede em quilômetros de asfalto, mas na capacidade de garantir que o futuro ainda tenha água, sombra e vida.Talvez este seja o momento de parar e ouvir. De enxergar que a natureza não protesta com palavras, mas com sinais. E os sinais já estão por toda parte. Há quem insista em enterrar verdades, mas a verdade, como a água, sempre encontra uma forma de resistir. E quando ela resiste, revela quem realmente cuidou e quem apenas construiu ou destruiu.



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Escrito por Rogéria Ramos, no dia 10/10/2025

Rogéria Ramos


Rogéria Ramos, presidente da Associação dos Moradores Unidos do Bairro Santo Agostinho E-mail [email protected] Instagram @rogeriaramosss


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