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Opinião


Editorial: mês da mulher: a distância entre a lei e a vida



Foto: Divulgação



Os números não permitem complacência. No Brasil, mais de 1,5 mil mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025. A cada ano, mais de 70 mil estupros são registrados no país. No mercado de trabalho, mulheres ainda recebem cerca de 20% menos que homens, mesmo quando estudam e se qualificam mais. Dados reunidos por instituições como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que a desigualdade de gênero no Brasil é uma realidade concreta.

Nas últimas décadas, o país construiu instrumentos legais importantes para enfrentar essa distorção histórica. A Lei Maria da Penha redefiniu a forma como o Estado encara a violência doméstica, retirando-a do campo da vida privada e reconhecendo-a como violação de direitos. Mais tarde, a Lei do Feminicídio passou a tratar o assassinato de mulheres por razões de gênero como crime específico. São avanços institucionais relevantes. Ainda assim, a distância entre a lei e a proteção efetiva da vida permanece evidente.

A violência que termina em morte raramente começa ali. Ela costuma se formar em ciclos silenciosos, que incluem controle, ameaça, isolamento social e agressões repetidas. Em muitos casos, o Estado chega tarde, quando a violência já percorreu todos os degraus possíveis. E se o barulho desse sofrimento não incomoda como deveria, é porque o problema, além de jurídico, é cultural, social e estrutural.
A desigualdade também se manifesta em ambientes menos visíveis, mas igualmente determinantes. No mercado de trabalho, mulheres ainda enfrentam barreiras que limitam sua presença em posições de liderança e em setores historicamente dominados por homens. Mesmo quando superam esses obstáculos, a diferença salarial persiste. Trata-se de uma assimetria que não se explica pela qualificação, mas por padrões históricos que ainda resistem à mudança.

Ao mesmo tempo, a história registra a vida de mulheres que redefiniram os limites do possível. Marie Curie abriu caminhos na ciência ao tornar-se a primeira pessoa a receber dois prêmios Nobel em áreas diferentes. Malala Yousafzai transformou a tentativa de silenciamento em uma campanha global pelo direito das meninas à educação. Esses e outros exemplos lembram que cada avanço feminino resultou em menos concessões e mais persistência. Direitos foram conquistados porque houve quem se recusasse a aceitar limites impostos como naturais.

O Dia Internacional da Mulher permanece, por isso, uma data necessária - desde que não se limite a elogios passageiros ou à distribuição de flores. Enquanto a violência de gênero persistir, enquanto oportunidades continuarem desiguais, enquanto direitos dependerem de resistência constante, o 8 de março continuará lembrando que a igualdade não é um dado da realidade: é uma construção que ainda exige vigilância, compromisso e coragem coletiva.




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Postado por Rafaela Melo, no dia 16/03/2026 - 15:36


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