Foto: Divulgação/ PMC
A AMIG Brasil - Associação Brasileira dos Municípios Mineradores convocou para o dia 19 de março de 2026 a sua 61ª Assembleia Geral, em Congonhas (MG), com uma pauta estratégica que coloca no centro do debate nacional a segurança na atividade minerária, as perdas financeiras dos municípios após a Reforma Tributária e a necessidade de fortalecimento da fiscalização e da arrecadação da CFEM. O encontro será realizado no Auditório da Romaria, com primeira chamada às 8h e segunda às 9h, reunindo prefeitos e representantes dos municípios associados.
A reunião ocorre em um momento decisivo para as cidades mineradoras brasileiras, que enfrentam desafios estruturais ligados à segurança operacional, à sustentabilidade fiscal e à reparação de perdas históricas. Para o presidente da AMIG Brasil, Marco Antônio Lage, a Assembleia tem papel estratégico na articulação institucional dos municípios. “As cidades mineradas e afetadas sustentam parte significativa da economia brasileira, mas convivem com riscos permanentes, pressões ambientais e perdas expressivas de arrecadação. Esta Assembleia será fundamental para consolidarmos uma atuação técnica, jurídica e política mais forte e coordenada”, afirma o presidente.
Um dos destaques da programação será a apresentação dos cases das Minas de Viga e de Fábrica, pelo município de Congonhas, abordando a reincidência de acidentes na atividade minerária no país. A discussão pretende ampliar o debate sobre o papel dos municípios na prevenção de riscos e na proteção das comunidades impactadas.
A palestra “Mineração e risco: o poder e o dever dos Municípios”, ministrada pelo consultor ambiental da AMIG Brasil, Thiago Metzker, reforçará o entendimento de que as administrações locais possuem atribuições e instrumentos legais para atuar de forma mais incisiva na fiscalização e na mitigação de danos. Para a AMIG Brasil, não há como aceitar que tragédias e incidentes sejam tratados como fatalidades. Os municípios têm poder de polícia administrativa, têm responsabilidade urbanística e ambiental. É preciso fortalecer essa atuação para proteger vidas e territórios.
Outro ponto central será o debate sobre como estruturar e custear uma fiscalização minerária eficiente, tema que será abordado por Flávia Vilela, consultora da AMIG Brasil para assuntos da Reforma Tributária. A proposta é apresentar caminhos técnicos para que as prefeituras planejem e implementem estruturas de controle com segurança jurídica e sustentabilidade financeira.
A iniciativa busca responder a uma das principais demandas dos municípios: ampliar a capacidade de fiscalização sem comprometer o equilíbrio fiscal. “Defendemos que os municípios tenham não apenas o dever, mas também as condições reais de exercer a fiscalização. Isso exige planejamento, segurança jurídica e fontes de custeio bem estruturadas”, enfatiza o presidente.
A Assembleia também contará com a apresentação de estudo do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (CEDEPLAR), da UFMG, que comprova as perdas enfrentadas pelos municípios mineradores em razão da Reforma Tributária e da Lei Kandir.
O levantamento técnico reforça a argumentação da AMIG Brasil em defesa de uma compensação mais justa às cidades que concentram a atividade mineral e arcam com seus impactos sociais, ambientais e estruturais. Segundo a associação, os dados mostram de forma inequívoca que os municípios mineradores estão perdendo receitas essenciais para saúde, educação e infraestrutura. “Não é razoável que quem suporta os impactos diretos da mineração receba menos recursos. Vamos usar esse estudo como base para uma agenda nacional de recomposição das perdas”, afirma Lage.
Outro eixo estratégico da Assembleia será a apresentação de um diagnóstico dos processos judiciais relacionados às dívidas de CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) e das estratégias de atuação dos municípios, conduzida pelo consultor jurídico Rogério Moreira.
A AMIG Brasil pretende fortalecer a articulação jurídica para garantir que valores devidos aos municípios sejam efetivamente recolhidos, assegurando justiça fiscal e maior capacidade de investimento local.
“A presença de cada prefeito e gestor é fundamental para o fortalecimento da atuação conjunta dos municípios e para o avanço das pautas prioritárias do setor”, enfatiza Marco Antônio Lage.
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Postado por Maria Teresa, no dia 14/03/2026 - 16:57