Fotos: Divulgação
Na outra extremidade, com atuação legislativa modesta, estão Arlindo Leiteiro e Fernando Bandeira
Você já parou para analisar como o vereador que recebeu o seu voto em 2024 cumpriu seu 1º ano dessa legislatura? Apesar da maioria das pessoas não saberem, esse não é (e nem deve ser) um segredo trancado a sete chaves. Disponíveis no site da Câmara e analisados pelo Jornal CORREIO, os dados oficiais do Legislativo municipal mostram como cada parlamentar compreende o papel do Legislativo, quais agendas escolheu priorizar e, sobretudo, quem utilizou o mandato para formular políticas públicas e quem concentrou esforços em ações de baixo efeito normativo.
Como recorte temporal, o levantamento considera exclusivamente projetos protocolados em 2025 e dá peso maior aos Projetos de Lei Ordinária, Projetos de Lei Complementar e Propostas de Emenda à Lei Orgânica (instrumentos que efetivamente criam ou alteram regras no município) e reserva ao segundo plano indicações, requerimentos e moções, que não têm força de lei.
O primeiro dado que salta aos olhos é a concentração da produção legislativa qualificada em poucos gabinetes. Embora praticamente todos os vereadores apresentem alto volume total de matérias, apenas um grupo restrito sustenta atuação consistente na formulação de leis com alcance estrutural.
Nesse cenário, Erivelton Martins Jayme da Silva (PRD) desponta como o principal formulador legislativo da Câmara em 2025. Com 34 Projetos de Lei Ordinária, além de projeto de emenda à Lei Orgânica e projetos de resolução, o vereador construiu uma agenda extensa e transversal. Suas propostas abordam desde proteção à infância, combate à violência doméstica, igualdade racial e direitos sociais até normas de organização urbana, segurança em eventos e políticas de saúde pública.
O volume elevado não é isolado do conteúdo. A lista de projetos indica uso sistemático do mandato para normatizar políticas públicas e enfrentar debates sensíveis, como responsabilização de agressores, combate ao racismo e proteção de grupos vulneráveis. Logo atrás, Regina da Silva Costa (Mobiliza) apresenta um perfil igualmente robusto, com 31 Projetos de Lei Ordinária.
Em seu 1º ano como vereadora, Gina revelou agenda focada na sustentabilidade urbana, saúde pública e políticas ambientais. Há projetos voltados à drenagem urbana, gestão de águas pluviais, combate a enchentes, reaproveitamento de materiais didáticos e certificação de crédito verde. Trata-se de uma produção menos pulverizada e mais temática, indicando planejamento legislativo e foco programático.
Produção consistente com recorte social e identitário
Eleita com números bem expressivos, a vereadora Damires Rinarlly Oliveira Pinto (PV) aparece como uma das parlamentares mais produtivas do ponto de vista legislativo, com 18 Projetos de Lei Ordinária, além de um elevado número de indicações e requerimentos. Seu conjunto de projetos revela coerência temática: direitos das mulheres, diversidade, inclusão social, saúde pública e reconhecimento institucional de grupos historicamente invisibilizados.
Também se destaca Roger Diêgo Evangelista (PSDB), autor de 16 Projetos de Lei Ordinária. Em seu 1º ano na Câmara, apresentou um viés mais normativo e urbano, com foco em ordenamento territorial, identificação de vias, regras para eventos e preservação do espaço público. Basicamente, sua produção é menos ideológica e mais funcional, voltada à organização da cidade e à regulamentação de práticas cotidianas.
Bloco intermediário
Encaixam-se nesse grupo vereadores que mantiveram produção legislativa regular, mas sem protagonismo quantitativo ou temático. Simone do Carmo Silva (PSD) apresentou 14 projetos, enquanto João Paulo Fernandes Resende (PSD) protocolou 13, incluindo projetos de impacto localizado, como regras para obras de grande porte e incentivo ao comércio local.
Maria da Conceição Aparecida Toledo (PRD) e Pedro Américo de Almeida (PT), ambos com 12 Projetos de Lei Ordinária, apresentam produção consistente, mas fragmentada em várias áreas. Seus mandatos combinam iniciativas de cunho social, cultural e administrativo, sem uma agenda legislativa dominante que marque o debate político ao longo do ano.
Na outra extremidade do levantamento aparecem vereadores cuja atuação legislativa é numericamente modesta, especialmente quando analisados apenas os projetos com força de lei. É o caso de Arlindo Resende Fonseca (PP). Apesar de liderar o total geral de proposições protocoladas em 2025, com 323 matérias, apenas 6 são Projetos de Lei Ordinária, e Washington Fernando Bandeira (PP), com 9. A maior parte de sua atuação se concentra em indicações e requerimentos, instrumentos importantes de interlocução com o Executivo, mas que não produzem mudanças legais permanentes.
Situação semelhante ocorre com Oswaldo Alves Barbosa (PP), Samuel Carlos de Souza (Pode) e Angelino Cláudio Pimenta Neto (PRD), cada um com 10 Projetos de Lei Ordinária. Embora presentes no plenário e ativos em matérias administrativas, esses vereadores apresentam participação mais limitada na formulação de políticas públicas estruturantes.
Damires Rinarlly, Erivelton Jayme e Gina Costa são destaques na produção legistaltiva
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Postado por Maria Teresa, no dia 26/01/2026 - 20:18