Foto: Arquivo Jornal CORREIO
Resiliência é a palavra de ordem nos comércios tradicionais de Lafaiete, que funcionam há várias décadas e vêm passando de geração em geração. Para conferir e celebrar esse importante segmento comercial, que representa cerca de 85% do Produto Interno Bruto (PIB) da cidade, o Jornal CORREIO e o portal de notícias CORREIO Online foram às ruas, nesta semana, para conferir in locu essa realidade e também para mostrar o segredo de empresas longevas enfrentarem tantas transformações e conseguirem chegar em 2025 ativas e funcionando. A nossa escolha recaiu sobre quatro lindas histórias, que são contadas na página 9 desta edição.
Essas lojas carregam em cadernetas amareladas e notas promissórias a história de gerações inteiras. São empresas fundadas entre as décadas de 1950 e 1970 que, apesar de crises econômicas, hiperinflação, planos monetários diversos, pandemia de Covid-19 e a transição para o comércio digital, permanecem ativas. Para esses comércios, o passado faz parte de uma estratégia de sobrevivência adaptativa que faz a ponte entre o século XX e o XXI.
O setor de comércio e serviços de Lafaiete concentra o maior número de empregos formais do município, atraindo consumidores de toda a região. Nesse contexto, Lusitana, Casa Nº 1, Vesúvio e Bazar Esperança exemplificam um equilíbrio raro: conciliar práticas tradicionais com exigências contemporâneas, mantendo relevância, fidelidade e competitividade em mercados cada vez mais desafiadores.
Há quem pense que resistir às mudanças é apenas uma questão de digitalizar sistemas ou modernizar operações. No entanto, essas empresas mostram que a sobrevivência depende de leitura constante do mercado, acompanhamento das expectativas dos clientes, manutenção de relações de confiança e investimento em capital humano experiente. São estabelecimentos que preservam práticas antigas e continuam relevantes, projetando-se para atender às demandas contemporâneas sem comprometer a identidade construída ao longo de décadas.
No entanto, o detalhe que mais chamou a atenção da nossa reportagem quando visitamos as instalações das lojas, é que, apesar das transformações pelas quais o comércio e o mundo passaram, elas carregam uma aura interiorana, bem mineira, onde, além de comprar o produto desejado, o freguês encontra um tempinho para prosear, lembrar dos tempos passados, da época em que se ouvia a música do John Lennon (So this is Christmas) nas caixas de som instaladas nos postes (pelo Pedro Chaves) nas ruas Melo Viana, Afonso Pena, João Franco Ribeiro, Tavares de Melo, Homero Seabra, entre outras. E, cá para nós, em tempos de tanta insensibilidade, irracionalidade e ódio extremo, parar num local e ser atendido com educação e cordialidade, salva nosso dia. Viva o nosso comércio!
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Postado por Rafaela Melo, no dia 06/10/2025 - 11:35