Tempo em Lafaiete: Hoje: 27° - 18° Agora: 18° Quinta, 03 de Abril de 2025 Dólar agora: R$ 5,665 Euro agora: R$ 6,219
Comunidade


EJA inova com formação em tecnologias digitais para alfabetizadores

A formação, que iniciou este mês, será oferecida até 2026 e faz parte do Pacto pela Superação do Analfabetismo



Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil


A EJA  atende principalmente pessoas que não completaram os estudos na idade esperada.


A Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Brasil passa a contar com uma formação inovadora que inclui o aprendizado sobre novas tecnologias, com foco na utilização crítica e consciente da internet e de ferramentas digitais. A partir deste mês, alfabetizadores da EJA em todo o país recebem treinamento especializado que integra temas como o uso de redes sociais, aplicativos bancários, a identificação de golpes online e até a criação de perfis em aplicativos de namoro. De acordo com a professora Daniele Dias, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), responsável pelo Programa de Formação de Alfabetizadores, o objetivo é permitir que os alunos vejam as tecnologias como aliadas em seu cotidiano, sem, no entanto, vê-las como a solução de todos os problemas. "Queremos que essas pessoas compreendam a tecnologia como algo que pode ajudar a facilitar a vida delas, de forma crítica e consciente", afirma.

O curso é parte do Programa de Formação de Alfabetizadores e Docentes dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, desenvolvido pela UFPB em parceria com o Ministério da Educação (MEC). Ele visa capacitar 1,3 mil formadores regionais que repassarão o conteúdo para professores e coordenadores de ensino. A formação, que iniciou este mês, será oferecida até 2026 e faz parte do Pacto pela Superação do Analfabetismo e Qualificação na EJA, uma iniciativa do governo federal que busca dar maior visibilidade e recursos à educação para jovens, adultos e idosos. Com foco na inclusão digital, a formação visa diminuir as lacunas educacionais, já que, segundo o IBGE, cerca de 11,4 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais ainda não sabem ler nem escrever. Nesse contexto, a educação midiática e o ensino sobre o uso responsável das novas tecnologias tornam-se essenciais para garantir uma plena integração desses cidadãos na sociedade atual. Além de ensinar habilidades digitais básicas, a formação também inclui estratégias para evitar crimes como golpes na internet e a propagação de informações falsas. Para a professora Daniele Dias, os alunos da EJA, muitas vezes, são vulneráveis a fraudes virtuais e precisam ser educados sobre o uso seguro da tecnologia.

A EJA, que atende principalmente pessoas que não completaram os estudos na idade esperada, enfrenta desafios como a baixa permanência dos alunos nas escolas. Dados do IBGE mostram que 46,8% da população brasileira com 25 anos ou mais não concluiu o ensino médio. Em um cenário em que a educação para adultos foi historicamente negligenciada, a nova formação visa não apenas aumentar a taxa de alfabetização, mas também transformar a forma como esses alunos se relacionam com a educação e com as tecnologias. No entanto, o programa enfrenta desafios, como a falta de formação específica para os professores da EJA, que muitas vezes não possuem o preparo necessário para lidar com a diversidade de faixas etárias e necessidades dos alunos. A professora Luzia Nadja Carneiro, que atua na EJA na Paraíba, acredita que a mudança trazida pela formação nacional é um marco para a educação de adultos no Brasil, valorizando o conhecimento prévio dos alunos e proporcionando uma abordagem mais humanizada e inclusiva.

O MEC, por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), destacou que todos os estados e o Distrito Federal, além de 91% dos municípios, já aderiram ao Pacto EJA, um esforço conjunto para promover a educação de jovens e adultos de forma mais abrangente e eficaz. A meta é que o curso de formação se torne obrigatório para todos os profissionais que atuam na área. A nova iniciativa é vista como um passo importante para reverter o quadro de exclusão educacional e digital que ainda afeta milhões de brasileiros, reforçando o papel da alfabetização como um pilar fundamental para o desenvolvimento social e econômico do país.

 Fonte: Agência Brasil




Você está lendo o maior jornal do Alto Paraopeba e um dos maiores do interior de Minas!
Leia e Assine: (31)3763-5987 | (31)98272-3383


Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 23/03/2025 - 15:14


Comente esta Notícia