Enquanto a administração municipal ostenta, nas redes sociais, uma realidade fictícia de excelência na saúde pública, a população de Conselheiro Lafaiete enfrenta o cotidiano brutal das filas intermináveis. O acesso a exames, consultas especializadas e cirurgias tornou-se um privilégio reservado a quem possui "contatos" dentro do poder, transformando um direito constitucional em moeda de troca clientelista. Programas federais, como o Programa Agora Tem Especialistas (PATE), Programa Nacional de Redução de Filas (PNRF) entre outros, criados justamente para combater essa inércia, parecem esbarrar em um muro de má-fé administrativa local.
A crise, no entanto, vai além da gestão caótica das filas. A situação da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) é emblemática e mostra um desmonte ético: o contrato em execução não corresponde àquele aprovado pelo Conselho Municipal de Saúde (CMS) e vem sendo alterado por termos aditivos, que carecem de aprovação do controle social e inflam repasses, em desacordo com o que anteriormente fora aprovado pelo Conselho. Recursos escassos, que poderiam ser aplicados para melhoria da atenção primária, são desviados para cobrir ajustes feitos à revelia do controle social. O silêncio da Secretaria de Saúde às notificações do Conselho revela um autoritarismo que ignora a participação popular, pilar do SUS.
Diante desse cenário de abandono institucional, a população se vê encurralada entre a fé e o desespero. A emblemática expressão “OREMOS”, do Frei Tibúrcio, ecoa não como devoção, mas como ironia ácida frente à inércia do poder. Resta ao cidadão sacrificar o sustento da família para custear privadamente o que é dever do Estado, enquanto as portas do Ministério Público, do Tribunal de Contas e da Câmara Municipal são acionadas como último recurso para combater este sistema viciado.
Este é o retrato de uma gestão que substituiu a eficiência pela propaganda, e o interesse público por conveniências políticas. A saúde em Lafaiete não precisa de posts otimistas, mas de transparência, respeito ao controle social e aplicação rigorosa dos recursos. Enquanto o alarde virtual persistir, a realidade continuará a doer nos corredores lotados e no bolso daqueles que não têm a quem recorrer, a não ser, ironicamente, REZAR ...
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Escrito por Coronel César, no dia 24/12/2025
Coronel José César de Paula
Porta-Voz da Rede Sustentabilidade
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