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Rogéria Ramos


Entre o que está escrito e o que é vivido



Existe uma coisa que muita gente não sabe. E, talvez, alguns prefiram que continue assim... guardado, longe dos olhos e das mãos do povo.

A Constituição garante. A Lei Orgânica do nosso município confirma. E o Regimento Interno da Câmara deixa claro e cristalino: o povo tem o direito de propor leis, revogar leis, pedir plebiscitos, referendos e participar, de forma ativa, das decisões que moldam a cidade onde vive.

Não é favor. Não é gentileza política. É direito. Está escrito. Está garantido.

Mas... se você nunca ouviu falar disso, não é por acaso.

O caminho para o povo exercer esse direito deveria ser simples, transparente, acessível. Mas, na prática, é como se escondessem a chave desse mecanismo democrático. Não há cartilha. Não há orientação. Não há plataforma digital que facilite. Na verdade, não há sequer incentivo. E, onde não há incentivo, há barreira.

Você sabia, por exemplo, que basta 5% dos eleitores da cidade - organizados, conscientes e determinados - para propor uma lei, alterar a Lei Orgânica ou exigir que uma decisão da Prefeitura ou da Câmara passe pela sua mão, pelo seu voto direto, por meio de um plebiscito ou referendo? E é impressionante como esse poder quase nunca é usado: porque falta informação, porque o sistema não convida, e porque muitos ainda acreditam que “isso não é comigo”.

É assim que funciona a verdadeira democracia. Aquela que não se esgota nas urnas, nem cabe em discursos prontos. É a democracia viva. A que pertence a quem mora, quem paga imposto, quem sofre, quem trabalha, quem sonha e quem luta por esta cidade.

Só que existe um problema: a cidade que mora dentro das leis nem sempre é a cidade que a gente vive nas ruas. Entre o que está escrito e o que é praticado... existe um vácuo. E é nesse vácuo que se escondem muitas coisas: decisões tomadas sem consulta, prioridades invertidas, bairros esquecidos, comunidades silenciadas.

Mas esse silêncio não é natural: ele é produzido. E é aqui que começa uma nova conversa sobre como transformar esse silêncio em voz, em presença, em poder real.

O que me move, e o que me faz estar aqui, é justamente isso: romper esse ciclo de invisibilidade. Mostrar que existe um outro caminho. Um caminho em que quem decide não são apenas aqueles que estão atrás de uma mesa, mas quem está na calçada, na praça, no bairro, na vida real.

Por isso, deixo um convite para quem quer entender mais, participar mais, transformar mais. Para quem quer uma cidade onde as decisões não sejam um mistério, mas um direito. E, se você se reconhece nesse desejo, essa é a hora de agir.

A cidade é sua. A lei também.

O que falta é ocupá-la.



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Escrito por Rogéria Ramos, no dia 09/07/2025

Rogéria Ramos


Rogéria Ramos, presidente da Associação dos Moradores Unidos do Bairro Santo Agostinho E-mail [email protected] Instagram @rogeriaramosss


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