Teatro em Movimento chega a Sete Lagoas com Jonas Bloch e o seu espetáculo “Delírio”
Montagem faz homenagem à poesia de Manoel de Barros e tem apresentação única no domingo, 11 de outubro
Fotos: Divulgação
O Festival Teatro em Movimento, que tem curadoria e coordenação geral de Tatyana Rubim, leva a Sete Lagoas, no domingo, dia 11 de outubro, às 19h, o espetáculo Delírio, monólogo do ator Jonas Bloch. A montagem, que integra a programação que celebra os 25 anos do Festival Teatro em Movimento, é inspirada na obra do poeta Manoel de Barros. A apresentação será realizada no Centro Cultural Nacional Teatro Preqaria e convida o público a mergulhar em um universo onde poesia, memória, natureza e imaginação se encontram. A apresentação em Sete Lagoas conta com patrocínio da Cemig, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais.
Sozinho no palco, Jonas Bloch transforma a poesia do escritor em experiência cênica e conduz o público por uma jornada marcada pela delicadeza, pela imaginação e pela beleza encontrada nas pequenas coisas da vida. Na peça, poesia e teatro caminham juntos para revelar o universo singular criado por Manoel de Barros. As lembranças da infância, os cenários do Pantanal, a natureza, o humor e a forma inovadora com que o poeta reinventava as palavras ganham vida na interpretação de Jonas Bloch, em uma encenação que valoriza tanto a força do texto quanto a expressividade das imagens.
“Levar Delírio para Sete Lagoas no ano em que o Teatro em Movimento celebra 25 anos é uma alegria. Inspirado na obra de Manoel de Barros, o espetáculo reúne poesia, teatro e artes visuais por meio da sensibilidade de Jonas Bloch. É uma montagem que convida o público a desacelerar o olhar e a perceber a beleza das coisas simples da vida”, afirma a idealizadora do Teatro em Movimento, Tatyana Rubim.
A criação de Delírio nasceu da profunda admiração de Jonas Bloch pela literatura de Manoel de Barros. Ao entrar em contato com seus textos, o ator encontrou uma escrita marcada pela humanidade, pelo humor e por uma capacidade única de transformar elementos aparentemente comuns em poesia. A partir dessa descoberta, selecionou alguns dos textos mais representativos do autor e construiu um delicado monólogo, que se tornou também uma declaração de amor à literatura brasileira.
Mais do que declamar poemas, o espetáculo convida o espectador a experimentar a maneira como Manoel de Barros enxergava o mundo. Ao longo da apresentação, ele é conduzido por um percurso sensível, em que o cotidiano se torna extraordinário, a simplicidade revela profundidade e a imaginação rompe os limites entre realidade e fantasia. O resultado é uma montagem que emociona, provoca reflexão e reafirma a atualidade da obra do escritor.
Conhecer a poesia de Manoel de Barros é, para Jonas Bloch, descobrir uma nova maneira de perceber a vida. “Sofisticado e ao mesmo tempo popular, ele nos revela os encantos da Natureza, visões do Pantanal e nos transporta às suas reminiscências numa linguagem elaborada, fascinante, inovadora, cheia de humor”, diz o Bloch.
Poética do cenário
Essa relação entre ator e poeta ultrapassa a interpretação. Em Delírio, Jonas Bloch participou também da criação do cenário. Inspirado na obra do artista Arthur Bispo do Rosário, desenvolveu painéis compostos por objetos, desenhos e diferentes texturas, construindo uma cenografia que dialoga diretamente com a linguagem poética de Manoel de Barros. O cenário não funciona apenas como elemento visual, mas integra a narrativa, estabelecendo uma relação permanente entre palavra, imagem e memória.
A opção por criar pessoalmente a cenografia traduz o envolvimento do ator com o espetáculo. Com mais de seis décadas dedicadas ao teatro, Jonas Bloch apresenta um trabalho que sintetiza sua maturidade artística e sua paixão pela profissão. Em cena, literatura, artes visuais e interpretação se encontram para construir uma experiência que desperta emoção e convida o público a desacelerar o olhar diante da vida.
O próprio ator resume a essência da montagem como “uma profunda correlação entre sua fala poética com as imagens visuais, um convite a visitar o sentido mais simples e encantador da vida”.
Um poeta que reinventou a linguagem
Reconhecido como um dos maiores escritores brasileiros, Manoel de Barros construiu uma obra singular, marcada pela invenção da linguagem e pela valorização da natureza, da infância e das pequenas descobertas do cotidiano. Sua produção literária recebeu importantes premiações, entre elas o Jabuti, e conquistou admiradores dentro e fora do Brasil.
O escritor espanhol Jorge La Rossa, tradutor de sua obra, definiu a poesia de Manoel de Barros como “a obra de Barros é inexplicável como o milagre, como qualquer obra de arte quando genuína. É um poeta por necessidade, por dom”. A admiração pelo poeta também foi manifestada por Carlos Drummond de Andrade, que o definiu como “o maior poeta vivo”.
Ao reunir parte desse universo poético em um espetáculo teatral, Delírio propõe ao público um encontro entre literatura e cena, oferecendo uma experiência que ultrapassa a narrativa tradicional e convida à contemplação, à escuta e à imaginação.
Serviço
Teatro em Movimento apresenta Delírio – com Jonas Bloch
Data/Horário: 11 de outubro, domingo, às 19h
Local: Centro Cultural Nacional Teatro Preqaria – Rua Aleixo Lanza, 41, Canaã, Sete Lagoas
O projeto Teatro em Movimento, coordenado pela Rubim Produções, de Tatyana Rubim, completa 25 anos, em 2026, com o objetivo de descentralizar o acesso às grandes montagens do eixo Rio-São Paulo, promovendo a circulação dos mesmos para Belo Horizonte que tornou-se, ao longo do tempo, praça relevante para a apresentação de importantes repertórios. Além disso, o projeto também atua em outros Estados e outras cidades. Desde então, contabiliza 280 repertórios, que somam mais de 800 apresentações, envolvendo cerca de 860 artistas, em 15 cidades, 30 teatros e público superior a 402 mil pessoas. Desde 2020, fundou o TeatroEmMov Digital, que realizou o primeiro curso de teatro digital do Brasil, sendo uma plataforma web que pesquisa, produz e une narrativas do teatro, da dança, do audiovisual e dos games; ambos idealizados por sua diretora, Tatyana Rubim.
Cemig
A Cemig é a maior incentivadora da cultura em Minas Gerais e uma das maiores do país. Ao longo de sua história, a empresa reforça o seu compromisso em patrocinar as expressões artísticas existentes no estado, de maneira a abraçar e acolher a cultura mineira em toda a sua diversidade. Os projetos e atrações patrocinados pela Cemig têm o objetivo de beneficiar o maior número de pessoas, nas diferentes regiões do estado, promovendo a democratização do acesso às práticas culturais. Ao investir, incentivar e impulsionar o crescimento do setor cultural em Minas Gerais, a Cemig contribui para dar vida à arte, refletindo o posicionamento da Companhia em ser uma indutora do desenvolvimento social e econômico de Minas Gerais.