Foto: site Governo Federal/divulgação
Especialistas explicam que a facilidade de acesso pelo celular pode ampliar a exposição dos jovens às apostas
Cada vez mais jovens têm procurado ajuda para abandonar a dependência em apostas online. Segundo integrantes da irmandade Jogadores Anônimos, adolescentes a partir dos 14 anos já chegam ao grupo em busca de apoio para controlar o vício em bets.
Um dos relatos é o de Gustavo Pereira, de 24 anos, que começou a apostar aos 18. Em seis anos, ele afirma ter perdido cerca de R$ 500 mil. Atualmente, está há aproximadamente dois meses sem apostar e tenta reconstruir a vida trabalhando com a venda de café nas ruas de Lages (SC). Dados citados na reportagem mostram a dimensão do problema entre crianças e adolescentes. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), uma em cada cinco pessoas no mundo começa a apostar online até os 11 anos. No Brasil, uma pesquisa realizada com 1.912 estudantes dos ensinos fundamental e médio apontou que 9,5% fizeram a primeira aposta aos 11 anos, enquanto quase metade dos alunos do 3º ano do ensino médio já havia apostado.
Especialistas explicam que a facilidade de acesso pelo celular pode ampliar a exposição dos jovens às apostas. A psicóloga Mariana Kehl destaca que o cérebro dos adolescentes ainda está em desenvolvimento, especialmente nas áreas relacionadas ao controle de impulsos e à avaliação de riscos. Além dos impactos emocionais, as apostas podem provocar problemas financeiros. Relatório do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) aponta que pelo menos 24 milhões de brasileiros apostaram em bets em 2024, sendo que quase metade ficou endividada.
O impacto também aparece na educação. Pesquisa da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) indica que 34% dos entrevistados disseram que precisariam reduzir os gastos com apostas para conseguir iniciar uma graduação em 2026. Entre estudantes do ensino superior, 14% relataram atraso nas mensalidades ou trancamento do curso devido aos gastos com bets.
Para especialistas, o enfrentamento do problema envolve ações de educação, prevenção, orientação, saúde, regulação e políticas públicas. A legislação brasileira também passou a estabelecer novas regras para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital. O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), em vigor desde março de 2026, ampliou mecanismos de proteção no ambiente virtual. Entre as medidas está a proibição de apostas online para menores de 18 anos e a adoção de mecanismos mais rigorosos de verificação de idade. A discussão sobre o avanço das bets entre jovens envolve ainda a publicidade nas redes sociais. Especialistas alertam que conteúdos divulgados por influenciadores podem ser interpretados pelos adolescentes como recomendações, aumentando a dificuldade de identificar o caráter publicitário das mensagens.
Fonte: Agência Brasil
Tags: apostas esportivas; bets; vício em apostas; apostas online; dependência em jogos
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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 20/09/2026 - 20:27