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Saúde


Emagrecer vai muito além da balança: entenda as fases e os fatores que influenciam a perda de peso

Nutricionista Amanda Oliveira destaca que alimentação, sono, atividade física, saúde mental e fatores hormonais fazem parte de um processo individual e que a manutenção dos resultados também exige mudanças de hábitos



Foto: Arquivo Jornal CORREIO


Nutricionista Amanda Oliveira 

 

Emagrecer vai muito além de simplesmente observar a redução dos números na balança. Embora o balanço energético seja um fator fundamental para a perda de peso, o processo envolve também mudanças metabólicas, hormonais, psicológicas e comportamentais.A nutricionista Amanda Oliveira, especialista em Nutrição Clínica e Esportiva Funcional, explica que o emagrecimento deve ser analisado de forma ampla e individualizada.“Quando falamos em emagrecimento, não podemos olhar apenas para o número que aparece na balança. O processo envolve mudanças na composição corporal, nos hábitos, no comportamento alimentar e na relação que a pessoa estabelece com a comida. Por isso, cada caso precisa ser avaliado de forma individual”, afirma.

Nas primeiras semanas de uma mudança alimentar, a perda de peso pode acontecer de forma mais rápida. No entanto, nem toda redução registrada nesse período corresponde necessariamente à perda de gordura corporal.“É comum que, nas primeiras semanas, a balança apresente uma redução mais rápida. Mas é importante entender que nem toda essa perda representa gordura corporal. Existem alterações relacionadas ao glicogênio e à água, e isso faz parte do processo”, explica Amanda.

Com o passar do tempo, o ritmo da perda de peso pode diminuir. À medida que o peso corporal é reduzido, o organismo também passa a gastar menos energia em determinadas atividades, enquanto mecanismos relacionados à fome e à saciedade podem dificultar a manutenção de um déficit energético.

Segundo a nutricionista, essa desaceleração não significa, necessariamente, que o processo deixou de funcionar.“Com o passar do tempo, a perda de peso pode ficar mais lenta, e isso não significa necessariamente que a pessoa deixou de evoluir. O organismo passa por adaptações, e é justamente nesse momento que precisamos avaliar o processo com calma, sem tomar decisões extremas.”

A manutenção do peso perdido também deve ser considerada uma etapa importante. Mais do que alcançar uma meta em determinado período, o desafio está em consolidar hábitos capazes de permanecer na rotina.“Emagrecer não termina quando a pessoa atinge determinado número na balança. A manutenção é uma fase fundamental e depende da construção de hábitos que sejam possíveis de manter na rotina. O objetivo não deve ser apenas perder peso rapidamente, mas conseguir preservar os resultados com saúde”, destaca.

O controle do peso envolve sinais produzidos por diferentes sistemas do organismo. Leptina, grelina, GLP-1, PYY, colecistocinina, insulina e cortisol estão entre os hormônios relacionados à fome, saciedade, metabolismo e utilização de energia.

Para Amanda Oliveira, porém, é preciso evitar explicações simplificadas que atribuam o emagrecimento a apenas um desses fatores.“Os hormônios participam da regulação da fome, da saciedade e do metabolismo, mas não existe um único hormônio responsável pelo emagrecimento. O corpo funciona de forma integrada, e qualquer alteração que realmente possa interferir no processo precisa ser investigada de maneira adequada.”

Dormir bem também pode fazer diferença durante o processo de perda de peso. Uma rotina inadequada de descanso pode interferir no apetite, na resposta ao estresse e na disposição para a prática de atividades físicas.“Muitas pessoas não associam o sono ao emagrecimento, mas ele tem um papel importante. Dormir mal pode influenciar o apetite, aumentar o desejo por determinados alimentos e reduzir a disposição para manter uma rotina mais ativa”, observa a nutricionista.

Além do sono, a saúde mental também deve ser considerada. Ansiedade, estresse, tristeza, compulsão alimentar e uma relação muito restritiva com os alimentos podem dificultar mudanças de comportamento e a manutenção dos resultados.“Não adianta olhar apenas para o prato e ignorar o que está acontecendo emocionalmente. Ansiedade, estressee uma relação difícil com a comida podem interferir diretamente no processo. Em alguns casos, o acompanhamento de outros profissionais é fundamental”, afirma.

A especialista ressalta ainda que não existe um único modelo alimentar capaz de funcionar da mesma maneira para todas as pessoas. Fatores como rotina, preferências, nível de atividade física, composição corporal, condições de saúde e objetivos precisam ser considerados.“Não existe uma dieta que funcione igualmente para todas as pessoas. Precisamos considerar rotina, preferências, nível de atividade física, condições de saúde e objetivos. Um plano alimentar precisa fazer sentido para quem vai colocá-lo em prática.”

Segundo Amanda, estratégias extremamente restritivas podem até apresentar resultados iniciais, mas nem sempre são sustentáveis ao longo do tempo.“Uma estratégia muito restritiva pode até trazer uma redução de peso em um primeiro momento, mas precisamos pensar se aquilo é sustentável. Uma alimentação saudável precisa ser adequada à realidade da pessoa e possível de ser mantida a longo prazo.”

De maneira geral, uma alimentação de qualidade pode priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, incluindo frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais e diferentes fontes de proteínas e gorduras insaturadas.

A prática de atividade física também é um componente importante do processo. O objetivo, segundo a especialista, não deve ser apenas diminuir o peso corporal, mas preservar a massa muscular e contribuir para a saúde metabólica, a força e a qualidade de vida.“Durante o emagrecimento, não queremos apenas reduzir o peso corporal. Preservar a massa muscular é importante para a força, a funcionalidade e a saúde metabólica. Por isso, a atividade física deve fazer parte de uma estratégia que respeite as condições individuais.”

A combinação de exercícios aeróbicos e treinamento de força pode ser incluída na rotina de acordo com as necessidades e possibilidades de cada pessoa. Além disso, hábitos como caminhar mais, subir escadas e reduzir o tempo sentado também contribuem para uma vida mais ativa.

Ao final, Amanda Oliveira reforça que a busca por resultados rápidos nem sempre representa o caminho mais adequado.“O emagrecimento mais sustentável é aquele construído com mudanças possíveis, graduais e compatíveis com a vida real. Mais do que buscar resultados rápidos, é importante criar hábitos que possam acompanhar a pessoa ao longo do tempo.”

Amanda Oliveira
Nutricionista, especialista em Nutrição Clínica e Esportiva Funcional
Contatos: (31) 3721-1007 / 9 9799-8600 / 9 9284-2063



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Postado por Rafaela Melo, no dia 06/09/2026 - 10:38


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