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Comunidade


Hoje o céu recebe uma de suas mais belas educadoras



Foto: Arquivo Jornal CORREIO


Glaycon Moreira Franco

Lafaiete se despede de Léa Franco Martins, mas eu me despeço da mulher que me ensinou, desde o início da vida, que amar é um verbo que se conjuga no silêncio. Ela não precisava anunciar o bem que fazia. Simplesmente fazia. E talvez seja por isso que tenha se tornado tão grande.

Tia Léa foi professora, inspetora regional de Educação, coordenou a área que hoje conhecemos como Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, aconselhou líderes políticos, ajudou a formar gerações de estudantes e fez da fé católica a razão de cada gesto. Mas nada disso consegue traduzir completamente quem ela foi.

Ela viveu para cuidar de pessoas.

Cuidou de crianças, de famílias, de casais, de idosos, de quem tinha fome, de quem precisava de uma palavra, de um abraço ou de uma oportunidade para recomeçar. Organizou centenas de casamentos de pessoas humildes. Não se limitava a conseguir a igreja ou os documentos. Ela entregava o enxoval, mobilizava amigos, encontrava soluções e fazia questão de que aqueles casais começassem a vida com dignidade.

Durante anos, alimentos saíam diariamente da fazenda da família para abastecer a mesa de quem nada tinha. Nunca permitiu que alguém divulgasse isso. Dizia, com a própria vida, aquilo que Cristo ensinou: "Não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita."

Esse era o tamanho da sua fé.

Mas Deus me concedeu um privilégio que poucas pessoas recebem nesta vida.

Antes de ser minha segunda mãe, tia Léa foi minha mãe de leite.

Foi ela quem me alimentou nos meus primeiros dias de vida. Foi em seus braços que encontrei abrigo antes mesmo de compreender o mundo. Depois, quando a vida colocou dificuldades diante da nossa família, ela voltou a fazer o que sempre fez: abriu sua casa, acolheu a mim e aos meus irmãos e nos criou como filhos. Nunca houve diferença. Havia apenas amor.

É impossível explicar quem eu sou sem falar dela.

Muito da minha forma de enxergar as pessoas, de viver a política, de exercer a fé e de acreditar no bem nasceu dos seus ensinamentos. Quando eu precisava de direção, era nela que eu buscava resposta. Quando tinha dúvidas, era sua sabedoria que me orientava. Ela foi minha bússola durante toda a vida.

Hoje, não perco apenas uma tia.

Perco a mulher que me deu o primeiro alimento, que ajudou a moldar meu caráter, que acreditou em mim antes de muita gente e que me ensinou que a verdadeira grandeza não está no poder, mas na capacidade de servir.

Minha gratidão será eterna.

E a saudade também.

Mas há pessoas que Deus não permite que morram por completo. Elas continuam vivendo nos valores que semearam, nas vidas que transformaram e no amor que deixaram como herança.

A senhora continuará caminhando comigo.

Em cada decisão que eu tomar, haverá um pouco da sua sabedoria.

Em cada gesto de cuidado com o próximo, haverá um pouco da sua generosidade.

E enquanto eu viver, o amor de uma mãe de leite continuará dando vida ao filho que a senhora escolheu amar.

 




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Postado por Maria Teresa, no dia 06/07/2026 - 14:06


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