Foto: Edmilson Dutra
As enrevistadas no estúdio do jornal correio: Leda Vidal, Giovanna Oliveira e Juliana Campos
A importância da identificação precoce de sinais do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e do acompanhamento profissional adequado foi tema do CORREIO Entrevista, que contou com a participação da psicoterapeuta comportamental Juliana Campos, da psicóloga comportamental Giovanna Oliveira e da professora e mãe Leda Vidal. A psicoterapeuta Juliana Campos explica que o momento do diagnóstico representa um impacto emocional significativo para a família e exige acolhimento imediato. “É um período de muita ansiedade, medo e dúvidas. A psicoeducação ajuda a reduzir essa insegurança e a construir um caminho mais realista para o desenvolvimento da criança”, destacou. Ela ressalta ainda que a participação da família é essencial no processo terapêutico, especialmente na continuidade das orientações no cotidiano.
Sinais de alerta e avaliação
Entre os sinais que podem indicar TEA, a psicóloga Giovanna Oliveira cita ausência de contato visual, atrasos na linguagem, movimentos repetitivos e dificuldades na interação social. Giovanna também explica que o diagnóstico é realizado por meio de avaliação multidisciplinar, envolvendo áreas como neuropediatria, psicologia, fonoaudiologia e terapia ocupacional.
Desenvolvimento e suporte
As profissionais explicam que o TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento com diferentes níveis de suporte, variando conforme as necessidades de cada indivíduo. O desenvolvimento pode ocorrer de forma gradual, exigindo intervenções específicas em áreas como comunicação e autonomia.
Sobrecarga emocional
As psicólogas também chamam atenção para a sobrecarga emocional enfrentada pelas famílias, principalmente pelas mães, que geralmente assumem maior responsabilidade no cuidado diário. Segundo elas, o acompanhamento deve incluir também suporte emocional aos cuidadores, que podem vivenciar ansiedade, exaustão e insegurança ao longo do processo.
Mudanças na rotina familiar
Leda Vidal é mãe de João Lucas, que atualmente tem 7 anos. Ela relata que o percurso até o diagnóstico foi marcado por inseguranças e falta de informações no início do processo. Segundo a mãe, o filho não apresentava alguns marcos esperados do desenvolvimento infantil, como contato visual frequente e início da fala dentro da faixa etária, além de comportamentos como movimentos repetitivos e interesses específicos.
O diagnóstico foi fechado quando a criança tinha quase 3 anos. “Foi uma das coisas mais difíceis que tivemos que enfrentar dentro de casa”, afirmou. Leda relata que a rotina da família foi completamente transformada após o diagnóstico. João Lucas realiza terapias no período da manhã e frequenta a escola à tarde, o que exige organização diária. “Tudo mudou. A rotina passou a ser voltada para ele”, disse. Ela também destaca o processo de adaptação emocional, com a necessidade de reorganizar expectativas e valorizar pequenas conquistas ao longo do desenvolvimento. Segundo a mãe, o acompanhamento conjunto entre família, escola e profissionais tem sido fundamental para a evolução da criança.
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Postado por Rafaela Melo, no dia 28/05/2026 - 14:20