Foto: Reprodução Câmara Municipal
A 30ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Conselheiro Lafaiete, realizada na noite da terça-feira, 26, foi marcada por forte tensão após um discurso na Tribuna Popular. O missionário e radialista Juliander Dias Barbosa, da Igreja Assembleia de Deus Missionários O Chamado da Salvação, participou da sessão a convite do vereador Pastor Angelino. A expectativa inicial era de uma fala voltada à defesa de princípios religiosos, valores familiares e bons costumes. Porém, ao longo do pronunciamento, o tom mudou e passou a incluir críticas ao Legislativo, ataques à administração municipal, comentários sobre a situação da cidade e referências ao debate nacional sobre a escala de trabalho 6 por 1.
Durante a participação, Juliander elogiou o vereador Pastor Angelino, afirmando que ele seria o único parlamentar preocupado em defender os “valores da família” e em trabalhar em favor da população. Em contrapartida, direcionou críticas aos demais vereadores e afirmou que o município estaria enfrentando dificuldades em diversas áreas.
O momento de maior tensão ocorreu quando o missionário passou a comentar questões ligadas à violência doméstica e à Lei Maria da Penha. Embora tenha declarado ser contrário a agressões e favorável à prisão de homens violentos, afirmou que “leis só favorecem mulheres” e disse que homens inocentes estariam sendo prejudicados por denúncias falsas registradas nas delegacias.
“A delegada aceita o BO e já corre contra a pessoa”, afirmou durante a fala.Em seguida, Juliander classificou a Lei Maria da Penha como “ultrapassada” e alegou que a legislação estaria “pesando só para um lado”, prejudicando homens e famílias tradicionais. Outro trecho que provocou reação imediata foi quando o missionário ironizou o Botão do Pânico, ferramenta utilizada para proteção de mulheres vítimas de violência doméstica. “Vamos fazer um Botão do Pânico para os homens. Quando a mulher for bater no homem, você aperta o botão”, declarou. As declarações provocaram reações imediatas no plenário, manifestações de revolta nos bastidores e ampla repercussão nas redes sociais.O pronunciamento também incluiu críticas relacionadas à escala 6 por 1 e acusações de que vereadores estariam aprovando propostas “contra a família tradicional”.
Diante da repercussão e das falas consideradas ofensivas contra mulheres, a Câmara Municipal acionou a Polícia Militar ainda durante a sessão. Após o encerramento do pronunciamento, um boletim de ocorrência foi registrado. A sessão terminou em clima de forte tensão política, com indignação entre parlamentares, revolta de parte do público presente e intensa repercussão nos bastidores do Legislativo lafaietense.
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Postado por Rafaela Melo, no dia 27/05/2026 - 10:03