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Saúde


Fibromialgia ganha novas diretrizes médicas no Brasil com foco em tratamento humanizado e qualidade de vida

Sociedade Brasileira de Reumatologia atualiza recomendações após 15 anos e reforça importância do acompanhamento interdisciplinar e de terapias não medicamentosas



Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil


 

Celebrado em 12 de maio, o Dia de Conscientização sobre a Fibromialgia chama atenção para uma condição que afeta milhões de brasileiros e impacta diretamente a qualidade de vida dos pacientes. Neste ano, a data ganha ainda mais relevância com a publicação das novas Diretrizes Brasileiras para o Tratamento da Fibromialgia, divulgadas pela Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR).O documento atualiza as recomendações anteriores, publicadas em 2010, e traz novas orientações sobre monitoramento clínico, uso racional de medicamentos e abordagens não farmacológicas, com base em evidências científicas recentes.

A fibromialgia afeta entre 2,5% e 3% da população brasileira e é considerada a segunda doença reumatológica mais comum no país, atrás apenas da osteoartrite. A síndrome é caracterizada principalmente por dor crônica generalizada, fadiga, distúrbios do sono, alterações cognitivas e impacto funcional significativo. Segundo o presidente da SBR, José Eduardo Martinez, o tratamento eficaz exige acompanhamento contínuo e multidisciplinar.

“O manejo eficaz da fibromialgia exige uma abordagem interdisciplinar, contínua e centrada no paciente, uma vez que a síndrome está relacionada principalmente a alterações no processamento central da dor e costuma coexistir com quadros como ansiedade e depressão”, destacou. As novas diretrizes recomendam o uso de instrumentos específicos para avaliar a gravidade da doença e acompanhar a resposta ao tratamento. Entre eles estão o Revised Fibromyalgia Impact Questionnaire (FIQR) e o Fibromyalgia Survey Questionnaire (FSQ), ambos disponíveis em português e já utilizados na prática clínica.O documento reforça que dor, fadiga e distúrbios do sono continuam sendo os principais alvos terapêuticos, mas ressalta que fatores emocionais, cognitivos, funcionais e metabólicos também precisam ser considerados durante o tratamento.

Entre as estratégias com melhores resultados científicos estão a educação dos pacientes e familiares, a prática regular de exercícios físicos — especialmente atividades aeróbicas associadas ao treinamento de força — e terapias psicológicas, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT). Técnicas como acupuntura e neuromodulação também aparecem como alternativas para alívio da dor.

As diretrizes ainda citam práticas complementares, como Tai Chi Chuan, exergames — videogames que estimulam atividades físicas — além de aspectos ligados à espiritualidade e religiosidade, sempre como apoio ao tratamento convencional.O documento também destaca que tratamentos conduzidos por equipes interdisciplinares, envolvendo médicos, fisioterapeutas, psicólogos, educadores físicos e nutricionistas, apresentam melhores resultados na qualidade de vida dos pacientes quando comparados ao acompanhamento exclusivamente médico.

No tratamento medicamentoso, os especialistas reforçam que nenhuma medicação isolada é capaz de controlar completamente a doença. Entre os medicamentos com melhor evidência científica estão a Amitriptilina, indicada principalmente para dor e distúrbios do sono; a Duloxetina, eficaz no controle da dor; e a Pregabalina, que apresenta benefícios relacionados à dor, sono e qualidade de vida.

Por outro lado, a SBR não recomenda o uso rotineiro de opioides, anti-inflamatórios, canabinoides, benzodiazepínicos e terapias intravenosas devido à falta de eficácia comprovada e aos riscos de efeitos adversos.A entidade também esclarece que a fibromialgia não é uma doença autoimune. Diferentemente de enfermidades como Lúpus Eritematoso Sistêmico, Artrite Reumatoide e Esclerose Múltipla, a síndrome não ocorre quando o sistema imunológico ataca o próprio organismo.

Entre os principais sintomas da fibromialgia estão dor generalizada, fadiga intensa, sono não reparador, formigamento nas mãos e pés, dificuldade de concentração, ansiedade e depressão.As novas diretrizes foram elaboradas a partir de revisões sistemáticas, meta-análises e consenso entre especialistas, buscando padronizar condutas clínicas e ampliar a qualidade do atendimento aos pacientes no Brasil.




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Postado por Rafaela Melo, no dia 11/05/2026 - 16:03


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