Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que o percentual de famílias endividadas no país atingiu 80% em abril
O aumento das taxas de juros no Brasil tem ampliado o endividamento das famílias e pressionado o orçamento doméstico. O cenário levou o governo federal a lançar nesta semana o Novo Desenrola Brasil, programa voltado à renegociação de dívidas e recuperação do crédito para milhões de brasileiros.
Especialistas apontam que a taxa Selic elevada, atualmente em 14,5% ao ano, somada aos altos spreads bancários praticados pelas instituições financeiras, tem dificultado o acesso ao crédito e aumentado o peso das dívidas no orçamento das famílias. O spread bancário representa a diferença entre os juros pagos pelos bancos e as taxas cobradas dos consumidores. Em março deste ano, o spread no Brasil chegou a 34,6 pontos percentuais, muito acima da média mundial, estimada em cerca de 6 pontos percentuais pelo Banco Mundial. De acordo com a professora de economia da Universidade de Brasília (UnB), Maria Lourdes Mollo, os juros elevados impactam diretamente o consumo e dificultam a recuperação econômica. Ela também destaca que muitas famílias estão recorrendo ao crédito para cobrir despesas básicas, como alimentação, saúde e contas do cotidiano.
Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que o percentual de famílias endividadas no país atingiu 80% em abril, maior nível da série histórica. Entre os lares com renda de até três salários mínimos, o índice de endividamento chega a 83,6%. Outro fator que preocupa especialistas é o rotativo do cartão de crédito, considerado um dos juros mais altos do país, podendo ultrapassar 400% ao ano. A professora Juliane Furno, da Universidade Federal Fluminense (UFF), afirma que o Brasil figura entre os países com maiores spreads bancários do mundo, situação que contribui para o aumento da inadimplência e dificulta a quitação das dívidas pelas famílias.
Para tentar aliviar esse cenário, o governo federal lançou o Novo Desenrola Brasil. A nova etapa do programa terá duração de 90 dias e prevê descontos de até 90% para renegociação de débitos, juros reduzidos e possibilidade de utilização do FGTS para abatimento das dívidas. O programa pretende beneficiar famílias, estudantes e pequenos empreendedores, ampliando o acesso ao crédito e incentivando a reorganização financeira dos brasileiros.
Tags: Novo Desenrola Brasil; endividamento das famílias; juros altos; taxa Selic; renegociação de dívidas; inadimplência; cartão de crédito; spread bancário; economia brasileira; crédito; FGTS; famílias endividadas; Banco Central; Desenrola Brasil; finanças pessoais
Fonte: Agência Brasil
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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 09/05/2026 - 16:20