Foto: Arquivo Jornal CORREIO
O Brasil criou 255.321 empregos com carteira assinada em fevereiro de 2026, segundo dados do Novo Caged. O resultado reforça o momento positivo do mercado formal no país, com geração de vagas espalhadas por praticamente todo o território. Mas, quando o olhar se desloca para o Alto Paraopeba, os números contam uma história mais lenta e também mais reveladora. Em Lafaiete, a sequência dos últimos anos mostra uma perda contínua de ritmo. Em 2022, foram 1.590 vagas criadas. No ano seguinte, 748. Em 2024, foram 656. Em 2025, o saldo já havia se tornado negativo.
Agora, em 2026, o número praticamente evapora: apenas 12 postos formais. Analisando matematicamente, é um gráfico que até oscila mês a mês, mas fecha ano após ano em queda e a capacidade de gerar empregos vai, aos poucos, se esvaziando. Os dados setoriais ajudam a entender esse desempenho: a geração de vagas no município se concentra principalmente no setor de serviços, enquanto comércio e indústria apresentam resultados mais fracos, o que limita uma retomada mais consistente do emprego.
O movimento não é idêntico, mas também não é alheio ao restante da região. Em Congonhas, após dois anos de forte geração de vagas (com 1.138 novas vagas abertas em 2023 e outras 1.009 em 2024), houve perda de intensidade em 2025, caindo para 326. Em 2026, o município volta a crescer e soma 540 empregos. A recuperação existe, mas ainda não recoloca a cidade no patamar de antes, sugerindo um avanço mais moderado e que pode oscilar ao longo do ano. Parte desse resultado recente está fortemente ligada à construção civil, responsável pela maior parte das novas vagas, enquanto setores como serviços registram retração. O quadro indica um crescimento relevante, mas concentrado e potencialmente mais volátil.
Já Ouro Branco apresenta um comportamento mais gradual. Os números recuaram ano após ano (757 novos empregos em 2022, 686 em 2023 e 522 em 2024), atingiram um ponto mínimo em 2025 e voltaram a subir em 2026, com 89 vagas. Ainda assim, o nível permanece distante dos resultados de anos anteriores, o que reforça a ideia de desaceleração progressiva. Assim como em Lafaiete, o saldo positivo recente é sustentado principalmente pelo setor de serviços, ao mesmo tempo em que a construção civil apresenta queda significativa, sinalizando perda de dinamismo em áreas ligadas a investimento.
A geração de vagas no município se concentra principalmente no setor de serviços
Panorama geral
Esse movimento contrasta com o cenário nacional. Em fevereiro, o saldo foi positivo em 24 das 27 unidades da federação. Minas Gerais registrou 22.874 vagas no mês, acompanhando a tendência de crescimento. O resultado foi puxado principalmente pelo setor de Serviços, responsável por 177.953 empregos, com avanços também na Indústria, na Construção, na Agropecuária e no Comércio. Apesar da expansão, alguns sinais pedem leitura mais cuidadosa.
O salário médio de admissão caiu 2,3% em relação a janeiro, ficando em R$ 2.346,97, embora ainda registre ganho real na comparação anual. Ao mesmo tempo, os jovens de até 24 anos concentraram 63,9% das vagas criadas, e as mulheres tiveram saldo superior ao dos homens. Em nota, o ministro Luiz Marinho aponta que fatores como o calendário (com impacto do Carnaval) e o cenário internacional, marcado por incertezas e juros elevados, ajudam a explicar oscilações no ritmo da economia.
Mais do que uma desaceleração pontual, os dados sugerem uma mudança no padrão de crescimento regional, marcada pela perda de dinamismo e pela dependência de movimentos setoriais específicos, o que torna a geração de empregos menos estável ao longo do tempo.
O que mudou no emprego da região
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Postado por Maria Teresa, no dia 20/04/2026 - 11:31