Foto: Edmilson Dutra
A soldadora Rejane do Carmo e a Jornalista Rafaela Melo, no estúdio do Jornal CORREIO
Há histórias que nascem silenciosas, mas ganham força com o tempo. Histórias que, entre coragem, trabalho e sonhos, florescem e inspiram outras mulheres a acreditarem no próprio caminho. Assim é a trajetória de Rejane Amélia do Carmo, conhecida carinhosamente como Tina, convidada da série especial Correio Mulher, dedicada a celebrar a força, a sensibilidade e as conquistas femininas.
Com um sorriso tímido e uma emoção que transparece nas palavras, Tina recebeu o convite com gratidão. “Estou muito feliz e grata po0r estar aqui representando as mulheres do mundo inteiro”, disse.
Hoje, Tina atua como soldadora na MRS, onde trabalha há 15 anos. Mas sua história começou muito antes, marcada por mudanças, tentativas e oportunidades que surgiram no momento certo. Antes de chegar à indústria, ela passou por diferentes áreas, trabalhou em casa de família e no comércio. Foi em 2006, que surgiu a oportunidade de conhecer a área metalúrgica. Sem saber exatamente do que se tratava, ela aceitou o incentivo de um amigo para fazer um curso de solda.
O início não foi fácil. Depois, Tina enfrentou períodos de espera até conseguir uma oportunidade na Usiminas Mecânica, especializada da Gerdau. Foi ali que ela começou a construir sua carreira, aprendendo na prática e descobrindo que havia encontrado seu lugar. “Depois disso, não parei mais. Trabalhei em várias empresas terceirizadas, fui aprendendo e me aperfeiçoando. A gente faz curso, mas pegar na ferramenta é completamente diferente”, relembra.
Ao longo dos anos, Tina acompanhou a transformação de um setor historicamente dominado por homens. Quando começou, havia poucas mulheres e o preconceito era mais presente. Hoje, ela celebra a mudança. “Há várias mulheres na área. As oportunidades aumentaram, o respeito também. A gente se dá o respeito e é respeitada”, afirma.
Com mais de duas décadas de trajetória profissional — sendo 17 anos na área e 15 na MRS — Tina olha para trás com orgulho. Ela lembra da época em que trabalhou como babá e se emociona ao reencontrar pessoas que fizeram parte dessa caminhada. “Tem meninos que eu fui babá deles e hoje trabalham comigo. Isso é muito gratificante. Eu olho para trás e penso: onde eu estou hoje? Foi muita luta, mas muita conquista também”, conta.
Mesmo realizada, Tina segue sonhando. Ela estuda, faz faculdade na área de administração de empresas e pensa em novos caminhos, como atuar com recursos humanos ou até como palestrante. Para ela, aprender nunca é demais. “Enquanto a gente está aqui, tem que ter sonhos. Não quero parar. Quero melhorar cada vez mais”, diz. Além da profissão, Tina também revela outro lado: gosta de cantar, dançar e já se apresentou em diferentes lugares sempre que teve oportunidade. Para ela, a vida também precisa de leveza e alegria. Ao final da entrevista, Tina deixou uma mensagem para mulheres que desejam ingressar em áreas consideradas masculinas. Com firmeza e carinho, ela incentivou: “Não desistam dos seus sonhos. Não tem mais esse negócio de preconceito como antes. Pegue sua bota, seu uniforme e vá correr atrás. Não importa a idade, não importa de onde você veio. O importante é acreditar.”
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Postado por Rafaela Melo, no dia 12/04/2026 - 14:20