Foto: Lucas Braga | UFMG
A Universidade Federal de Minas Gerais declarou publicamente um pedido de desculpas à sociedade brasileira por ter adquirido, no século XX, cadáveres provenientes do Hospital Colônia de Barbacena. A manifestação é acompanhada de ações voltadas à preservação da memória, em conjunto com grupos da luta antimanicomial, além da restauração do livro histórico de registro de cadáveres e da inclusão do tema em disciplinas de anatomia da Faculdade de Medicina.
Em declaração assinada no dia 18 de março, a então reitora Sandra Goulart Almeida reconheceu que o Hospital Colônia de Barbacena e outras instituições psiquiátricas de Minas Gerais foram palco de uma das mais graves violações de direitos humanos no Brasil, com a internação de pessoas de todas as idades por supostos transtornos mentais. Após a morte, muitas dessas pessoas eram enterradas como indigentes ou tinham seus corpos destinados a uma das 17 instituições de ensino médico para viabilizar aulas de anatomia.
O documento ressalta que, em respeito ao direito à verdade, à justiça e à memória, a UFMG pede desculpas à sociedade brasileira pela prática que, segundo o texto, aviltou os corpos e a dignidade de pessoas falecidas no Hospital Colônia de Barbacena. Desde 1999, a universidade mantém um programa de doação de corpos para estudo de anatomia, que funciona de forma voluntária e consentida, sendo considerado uma prática legal e ética, alinhada a padrões internacionais. Além do pedido público de desculpas, outras ações voltadas ao ensino e à preservação da memória também serão promovidas, em consonância com recomendações da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão. Grupos da luta antimanicomial também participaram das tratativas.
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Postado por Rafaela Melo, no dia 10/04/2026 - 10:35