Foto: Rafaela Melo
Durante décadas, tirar a carteira de motorista em Minas Gerais significou seguir um roteiro rígido: matrícula obrigatória em autoescola, carga extensa de aulas teóricas e práticas, provas e, muitas vezes, reprovação seguida de reinício do processo. Um caminho caro e demorado, principalmente para quem estava começando a vida profissional ou não possuía renda. Desde o início do ano, porém, esse cenário mudou - e a autoescola deixou de ser, necessariamente, o ponto de partida.
Com as novas regras, o candidato pode abrir o processo de forma autônoma e cumprir apenas as exigências mínimas antes da prova prática. A carga obrigatória de aulas foi reduzida, o exame teórico deixou de ter prazo de validade e a avaliação prática passou a considerar o conjunto da condução, e não falhas isoladas.
Na prática, as mudanças também alteraram a dinâmica das autoescolas. Proprietária do Centro de Formação de Condutores Santos, Cássia Santos afirma que o processo ficou mais flexível e barato, mas não necessariamente mais formativo. “Duas aulas práticas cumprem a exigência legal, mas não são suficientes para quem nunca dirigiu e quer aprender a conduzir com segurança”, alerta.
Antes da mudança, o mínimo exigido era de 20 aulas práticas e os pacotes completos costumavam custar entre R$ 1.800 e R$ 2.000. Hoje, para a primeira habilitação (seja para carro ou moto), o candidato precisa cumprir apenas duas aulas obrigatórias e pode contratar outras conforme considerar necessário.
Segundo Cássia, a autoescola passou a oferecer diferentes formatos de preparação. “Temos pacotes de duas, cinco, dez ou vinte aulas, sempre com a opção de aluguel do veículo para a prova. O candidato tem liberdade para escolher o quanto quer praticar.” A flexibilização também alterou regras para quem pretende ampliar a habilitação. No caso da mudança para categorias D ou E, que antes exigia 20 aulas, o mínimo obrigatório passou a ser de 10.
Mesmo com a redução das exigências, o pacote tradicional segue sendo o mais procurado. “Tirar a CNH não é apenas passar na prova. É aprender a dirigir com consciência”, afirma. A flexibilização também acelerou os prazos. “Com dedicação, hoje é possível concluir o processo em cerca de 15 dias.”
O curso teórico, agora gratuito e disponível por aplicativo, ajudou a reduzir custos, embora a autoescola mantenha aulas presenciais para quem prefere explicações em sala. “O aluno escolhe o formato que funciona melhor.” No fim, a CNH ficou mais acessível no preço e no tempo. A decisão sobre quanto investir na própria formação, porém, continua sendo do candidato. “O pacote mínimo resolve a parte legal, mas quem quer sair preparado para o trânsito real acaba optando por mais aulas”, afirma.
Mais candidatos
De acordo com dados fornecidos pelo Detran-MG, em janeiro de 2025, ainda sob as regras anteriores da Resolução Contran nº 789, foram registrados 21.813 requerimentos de primeira habilitação em Minas Gerais. Já em janeiro de 2026, sob a vigência das novas normas, foram contabilizados 52.912 requerimentos de candidatos que efetivamente avançaram nas etapas do processo.
O que mudou para tirar a CNH
Quanto custa tirar a CNH hoje
Pacote mínimo – Autoescola Santos
l2 aulas práticas (mínimo legal) + aluguel do veículo para a prova prática
l10 x de R$ 58,70
lPacotes disponíveis: 2, 5, 10 ou 20 aulas, conforme escolha do candidato.
Taxas obrigatórias do governo
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Postado por Maria Teresa, no dia 15/03/2026 - 09:06