Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Para ajudar vítimas a denunciar esse tipo de violência, o Ministério Público do Trabalho (MPT) lançou uma cartilha com orientações sobre como reunir provas e formalizar denúncias.
Casos de assédio moral e sexual no ambiente de trabalho ainda são frequentemente subnotificados no Brasil. Para ajudar vítimas a denunciar esse tipo de violência, o Ministério Público do Trabalho (MPT) lançou uma cartilha com orientações sobre como reunir provas e formalizar denúncias. A iniciativa busca esclarecer dúvidas comuns de trabalhadores que enfrentam situações de constrangimento, humilhação ou intimidação no ambiente profissional e não sabem como agir ou registrar as ocorrências. Um exemplo é o caso de Ana*, de 26 anos, que relatou ter enfrentado episódios de assédio moral e sexual enquanto trabalhava em um supermercado durante seis meses. Segundo ela, gritos e insinuações por parte do ex-patrão transformaram a rotina de trabalho em um “pesadelo”. Apesar de ter pedido demissão, a jovem não denunciou as situações por medo e falta de orientação. “Eu não sabia como me defender daquilo”, contou.
Como reunir provas de assédio
De acordo com a procuradora Luciana Marques Coutinho, do Ministério Público do Trabalho, reunir provas é um passo fundamental para comprovar situações de assédio e fortalecer denúncias. Entre as orientações está registrar conversas que evidenciem o comportamento abusivo. “Nem sempre as pessoas sabem, mas elas podem gravar, por exemplo, as conversas”, explicou a procuradora em entrevista à Agência Brasil. Outra recomendação é manter um registro detalhado das ocorrências, como um diário com datas, horários e descrição das situações vividas. Segundo a especialista, esse tipo de anotação pode ajudar a vítima a lembrar detalhes importantes caso precise relatar os fatos posteriormente.
Mensagens e registros também podem servir como prova
Documentos e registros digitais também podem ser utilizados como evidência. Bilhetes, e-mails, mensagens em aplicativos ou redes sociais podem comprovar comportamentos abusivos. Atualmente, a legislação brasileira determina que empresas mantenham canais internos de denúncia para receber relatos de assédio moral e sexual. As organizações também devem promover ações de capacitação e prevenção para orientar trabalhadores sobre essas situações.
Como denunciar casos de assédio
As denúncias podem ser feitas diretamente ao Ministério Público do Trabalho, ao Ministério do Trabalho ou aos sindicatos da categoria profissional. Também é possível registrar ocorrências por telefone por meio dos canais de proteção aos direitos humanos:
Ministério Público do Trabalho: acesse aqui.
Ministério do Trabalho: acesse aqui.
Disque 100 – acesse aqui.
Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 – acesse aqui.
As denúncias podem ser realizadas inclusive de forma anônima.
Quem são as principais vítimas
Segundo especialistas, as mulheres estão entre as principais vítimas de assédio no ambiente de trabalho. A procuradora Luciana Marques destaca que mulheres negras são ainda mais vulneráveis a esse tipo de violência, principalmente em contextos de precarização das relações de trabalho. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), violência e assédio incluem qualquer comportamento ou prática inaceitável que cause dano físico, psicológico, sexual ou econômico, podendo ocorrer de forma isolada ou repetida. Essas situações podem acontecer no local de trabalho, em viagens a serviço, em eventos corporativos, durante deslocamentos ou até em atividades de teletrabalho.
Subnotificação ainda é um desafio
Apesar da gravidade do problema, especialistas alertam que muitos casos não chegam às autoridades. O receio de perder o emprego, sofrer retaliações ou não ser acreditado ainda impede muitas vítimas de denunciar. Além disso, o assédio pode ser praticado não apenas por superiores, mas também por colegas ou subordinados. Em alguns casos, mulheres em cargos de liderança também relatam sofrer assédio por parte de funcionários subordinados. Para o Ministério Público do Trabalho, ampliar a informação e fortalecer os canais de denúncia são medidas essenciais para combater o assédio e garantir ambientes de trabalho mais seguros e respeitosos.
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Fonte: Agência Brasil
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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 08/03/2026 - 11:28