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Lafaiete triplica número de acidentes com animais peçonhentos em um ano

Entre 2021 e 2025, Lafaiete, Congonhas e Ouro Branco registraram mais de 680 notificações; em Lafaiete, alta de 200% entre 2024 e 2025



Foto: Lucas Luckeroth/ACS Funed



O avanço do período chuvoso, marcado por temperaturas elevadas e maior umidade, volta a acender o alerta para os acidentes com animais peçonhentos na região. Levantamento com base no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), compilado pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), aponta que Lafaiete, Congonhas e Ouro Branco somaram 685 notificações entre 2021 e 2025. Os registros envolvem escorpiões, serpentes, aranhas, lagartas e abelhas, revelando comportamentos distintos entre os municípios, tanto no volume quanto na evolução dos casos ao longo dos anos. Entre os três municípios, Congonhas concentra o maior número absoluto de registros no período analisado, com 367 acidentes.

O ano de 2024 marcou o pico da série histórica local, com 138 notificações, seguido por 2025, com 81 casos. Em Conselheiro Lafaiete, foram 120 notificações no total, com crescimento expressivo em 2025, quando o município registrou 42 ocorrências — aumento de 200% em relação a 2024, que havia contabilizado 14 casos. Ouro Branco somou 198 registros entre 2021 e 2025, com maior concentração em 2023, quando foram notificados 73 casos.  

Escorpiões: crescimento  recente e distribuição desigual

Os acidentes envolvendo escorpiões aparecem de forma relevante nos três municípios, mas com comportamentos distintos. Congonhas registrou 86 acidentes entre 2021 e 2025, com crescimento expressivo em 2024, quando foram contabilizados 28 casos, e manutenção de números elevados em 2025, com 21 registros. Em Conselheiro Lafaiete, foram 21 notificações no período, sendo que mais da metade ocorreu em 2025, com 12 casos, indicando aumento recente. Ouro Branco apresentou baixo número de registros, com cinco casos distribuídos entre 2021, 2024 e 2025. Segundo o biólogo Rafael Batista, do Serviço de Animais Peçonhentos da Fundação Ezequiel Dias (Funed), a maior presença de escorpiões nesta época do ano está associada a fatores ambientais. 

“O clima mais quente e úmido favorece o aparecimento desses animais, que acabam buscando abrigo em áreas residenciais, o que aumenta o risco de acidentes”, explica.  Acidentes com serpentes  reforçam diversidade de riscos O risco não se limita a um único tipo de animal peçonhento. Nos registros envolvendo serpentes, Congonhas também lidera, com 33 ocorrências entre 2021 e 2025, chegando a 10 casos somente em 2025, o maior número da série municipal. Lafaiete contabilizou 26 acidentes, com maior concentração em 2021, quando foram registrados oito casos, e redução gradual nos anos seguintes. Ouro Branco somou 16 ocorrências, com tendência de queda, passando de seis registros em 2021 para um em 2025.  



Atendimento rápido reduz  gravidade dos casos Apesar do volume expressivo de notificações, a SES-MG destaca que a maioria dos casos é atendida de forma ambulatorial, sem necessidade de internação. Em todo o estado, Minas Gerais registrou quase 60 mil acidentes com animais peçonhentos em 2025, sendo mais de 42 mil envolvendo escorpiões, com baixa taxa de óbitos — resultado atribuído ao atendimento precoce e à ampla rede de assistência. O coordenador do Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Minas Gerais (CIATox-MG), Adebal de Andrade Filho, orienta que, em caso de acidente, a vítima deve manter a calma e procurar atendimento imediatamente. “Não se deve fazer torniquete, furar, espremer ou sugar o local.

Lavar apenas com água e sabão e buscar a unidade de saúde mais próxima é fundamental”, afirma. Sempre que possível e com segurança, recomenda-se fotografar o animal para auxiliar na identificação, sem tentar capturá-lo.  Prevenção começa  dentro de casa A Funed reforça que medidas simples ajudam a reduzir o risco de acidentes, especialmente em áreas urbanas. Manter o ambiente limpo, evitar acúmulo de lixo e entulho, vedar ralos, frestas e portas e redobrar a atenção em quintais e áreas externas estão entre as principais orientações. O CIATox-MG, vinculado ao Hospital João XXIII, mantém atendimento telefônico 24 horas, oferecendo suporte tanto à população quanto aos profissionais de saúde. 

 




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Postado por Maria Teresa, no dia 22/02/2026 - 08:08


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