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Comunidade


Conversa sobre Batismo termina em confusão e vai parar na polícia

Mãe diz que ela e a criança não foram acolhidas pelo pároco da Matriz de Nossa Senhora da Conceição



Imagem ilustrativa



O que deveria ser uma conversa sobre o batismo de uma criança terminou em constrangimento, abalo emocional e registro policial em Lafaiete. Moradora do Campo Alegre, Klayciana Moreira Monteiro de Castro afirma ter sido alvo de ofensas e in­tolerância religiosa durante atendimento na Paróquia de Nossa Senhora da Con­ceição, on­de buscava orientações para batizar a filha Vitória, então com cerca de dois meses de vida.

Segundo Klayciana, o contato inicial foi feito com a secretaria da igreja, que orientou o agendamento de um horário com o padre responsável. O encontro ocorreu na tarde do dia 4 de fevereiro, em uma sala da própria igreja. “Cheguei acreditando que seria apenas uma conversa sobre o curso de batismo”, relatou.
De acordo com o boletim de ocorrência, a conversa começou de forma protocolar, mas mudou de tom após o sacerdote questionar sua vida pessoal. Klayciana relatou que explicou ser casada legalmente, mas que tanto ela quanto o marido são divorciados de relações anteriores e não possuem casamento religioso. “Foi a partir daí que tudo mudou. Passei a ser julgada pela minha vida”, afirmou.
O relato indica que o padre teria feito comparações consideradas ofensivas e afirmado que a igreja “abomina” esse tipo de situação. “Eu disse que aquela forma de falar era ofensiva, mas ele respondeu que estava apenas seguindo as leis de Deus e da igreja”, contou Klayciana, afirmando ter se sentido desrespeitada.
A situação se agravou quando o sacerdote perguntou sobre a religião da moradora. Klayciana informou ser praticante da umbanda e explicou que, apesar disso, ela e o marido, católico, optaram pelo batismo da filha na Igreja Católica. “Eu disse que queríamos batizá-la ali porque achávamos que era o certo”, relatou.
Conforme o boletim, após essa informação, o padre teria se recusado a realizar o batismo. “Ele disse que eu era pior que a Gretchen, que não sabia escolher marido e que estava com minha vida toda errada. Também disse que, com a minha religião e a vida que eu levo, não batizaria minha filha e que eu deveria procurar outro lugar”, afirmou Klayciana. Ao questionar diretamente se o batismo estava sendo negado, a recusa foi reafirmada.
Abalada, Klayciana deixou o local. Sem celular e emocionalmente desorientada, afirma ter sido acolhida por uma prima do marido, que a encontrou na rua e a levou para casa. “Saí de lá desnorteada. Eu me senti humilhada e acuada”, declarou.
No registro policial, Klayciana destacou que estava em período recente de parto, após uma gravidez de alto risco, marcada por seis perdas gestacionais anteriores. “Sou uma mulher recém-parida, com minha filha no colo, e não fui respeitada como ser humano. Nem eu, nem a criança fomos acolhidas naquele momento por quem representava a instituição religiosa”, desabafa.
O caso foi registrado na Polícia Civil para apuração dos fatos. O boletim foi lavrado para fins de providências futuras. A reportagem encaminhou um ofício à direção da igreja e ao sacerdote citado, solicitando posicionamento sobre os fatos relatados. A resposta segue abaixo:

Resposta da Paróquia
“Em atenção à solicitação do Jornal Correio, registro que, por uma questão de ética, não devo expor a vida de ninguém em jornais ou redes sociais, sobretudo após uma conversa particular. Há anos sigo o princípio de entrevistar os pais antes do Batismo, como parte da catequese.
Para os católicos, o Batismo é um dos sete Sacramentos da Igreja, sendo o primeiro, chamado Sacramento da Iniciação Cristã, que significa a inserção do fiel na Igreja Católica. Se os pais não têm compromisso de trazer o batizando para a comunidade, o Batismo perde o sentido. Não se trata apenas de cumprir uma tradição ou de um amuleto; é um compromisso da e na Igreja.
Por isso, realizo entrevistas com todos os pais, ao menos com os paroquianos de Nossa Senhora da Conceição. Todos que me conhecem sabem que em nenhum momento tenho a intenção de ofender alguém. Se alguém se sentiu ofendido, não foi por minha ação, mas pode refletir sua própria sensibilidade, apesar de minhas limitações”. (Padre Geraldo Gabriel Pinto, Pároco da Pa­ró­quia de Nossa Senhora da Conceição, Conse­lheiro Lafaiete, 9 de fevereiro de 2026)




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Postado por Rafaela Melo, no dia 18/02/2026 - 13:38


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