Foto: Hospital Regional de Barbacena / Divulgação
A neuronavegação utiliza exames de tomografia e ressonância magnética do paciente para mapear e orientar o médico em tempo real
O Complexo Hospitalar de Barbacena (CHB), da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), realizou um marco histórico na assistência à saúde: a primeira cirurgia com neuronavegação, tecnologia que funciona como um GPS cerebral, permitindo localizar lesões com extrema precisão e reduzir riscos para o paciente.
A neuronavegação utiliza exames de tomografia e ressonância magnética do paciente para mapear e orientar o médico em tempo real, indicando a posição exata da lesão, mesmo em regiões profundas ou próximas a áreas nobres do cérebro.Segundo o coordenador do Serviço de Neurocirurgia do CHB, Carlos Eduardo Ferrarez, os principais benefícios incluem maior precisão, menor agressão ao tecido cerebral saudável, mais segurança, redução de sequelas e recuperação mais rápida.
O primeiro procedimento, realizado em 24 de janeiro, foi uma biópsia de tumor cerebral, com toda a equipe — neurocirurgiões, anestesiologistas, enfermeiros e técnicos — utilizando a tecnologia em todas as etapas. No dia 26 de janeiro, o hospital realizou outra cirurgia de alta complexidade com neuronavegação, que durou mais de sete horas e contou ainda com monitorização neurofisiológica e aspiração ultrassônica, permitindo maior precisão no tratamento de tumores e lesões profundas.
A tecnologia pode ser aplicada em diferentes procedimentos, como remoção de tumores, biópsias e cirurgias próximas a áreas críticas do cérebro. Ferrarez destaca que a neuronavegação aumenta a segurança do paciente e da equipe: “Quando o cirurgião sabe exatamente onde está e qual trajeto precisa seguir, o risco diminui significativamente. Essa previsibilidade faz muita diferença”.
Priscila Mesquita, coordenadora da Unidade Cirúrgica, compara o avanço: “É como se tivéssemos saído de um mapa de papel e passado para um GPS de última geração. Estamos entregando um recurso de ponta que antes só existia em grandes centros particulares”.
O uso da tecnologia também amplia a capacidade de resolutividade do hospital, reduzindo encaminhamentos e agilizando o tratamento regional: “Quando temos esse recurso, não precisamos enviar o paciente para outra cidade, evitando deslocamentos e tornando o sistema mais eficiente”, acrescenta Priscila.
A chegada da neuronavegação só foi possível após reorganização dos fluxos do bloco cirúrgico, realizada em 2025 com apoio do Programa Lean. Com a equipe e os protocolos ajustados, foi possível adotar a tecnologia de alta complexidade.Para a equipe, o primeiro procedimento foi marcante: “Ver tudo funcionando na prática trouxe uma motivação extra. Foi um sentimento de missão cumprida”, conclui Priscila.
Ferrarez ressalta ainda o impacto positivo para a saúde pública: “A neuronavegação amplia a capacidade do serviço, permitindo procedimentos mais complexos com maior qualidade assistencial, e reforça o compromisso da Fhemig com a modernização do SUS e atendimento de excelência à população”.
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Postado por Rafaela Melo, no dia 08/02/2026 - 10:08