Foto: Getty Images/ Divulgação
O final do ano costuma ser um período de avaliação e introspecção, quando as pessoas revisitam conquistas, desafios e metas não alcançadas. No entanto, esse momento, embora simbólico, pode gerar sentimentos de angústia, irritabilidade e frustração. “O calendário oferece uma ilusão de ordem e controle do tempo. Quando o sujeito se depara com esse corte simbólico, surge a pergunta: ‘O que fiz da minha vida até aqui?’”, explica a psicóloga Renata Fernanda Dias.
Segundo a especialista, muitas metas não realizadas não refletem apenas falta de esforço, mas revelam conflitos inconscientes. “O desejo do sujeito pode entrar em contradição com seus ideais, exigências sociais ou expectativas introjetadas. A meta não realizada pode indicar algo que nunca foi verdadeiramente seu, mas do Outro — família, cultura, mercado ou ideal de sucesso”, comenta Renata.
O período também mobiliza a experiência da perda. Cada encerramento de ciclo traz consigo tempo, oportunidades e versões de si mesmo que não retornarão. Mesmo quando há conquistas, essas não anulam o que ficou pelo caminho. “O inconsciente não reconhece o fim de ano, mas o sujeito, atravessado pela linguagem e cultura, sente o peso desse marco simbólico. Conteúdos recalcados, adiamentos e repetições retornam com força, intensificando sentimentos de angústia, irritabilidade ou tristeza”, alerta a psicóloga.
A comparação com os outros, intensificada por festas familiares, reuniões e redes sociais, também contribui para a sensação de insuficiência. “Esse confronto com imagens idealizadas de sucesso e felicidade pode reativar sentimentos antigos de inadequação, vergonha ou frustração, aprofundando a angústia”, acrescenta Renata.
Para a psicóloga, é fundamental olhar para esses sentimentos de forma construtiva. “A angústia de final de ano não deve ser vista apenas como algo negativo a ser eliminado; ela aponta questões importantes: quais desejos foram adiados ou silenciados? Quais metas eram realmente minhas? O que insisto em repetir?”.
Renata reforça que o foco não deve ser apenas cumprir listas de metas, mas ouvir a si mesmo. “Mais do que listas de objetivos, o final de ano pode ser um tempo de elaboração, de reconhecimento dos limites e de abertura para um desejo mais singular. Viver não é cumprir todas as metas, mas sustentar com menos idealização e mais verdade aquilo que nos move”, conclui a especialista.
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Psicóloga Renata Fernanda Dias
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Postado por Rafaela Melo, no dia 30/12/2025 - 18:20