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Política


Editorial: Um gesto que rompe 235 anos de Lafaiete

A disputa para a presidência da Câmara Municipal de Lafaiete vive um momento de reposicionamento, no qual mulheres ocupam e lideram



Foto: Arquivo/Jornal CORREIO



A eleição de Cida Toledo para a presidência da Câmara Municipal de Lafaiete sinaliza uma ruptura histórica. Em 235 anos de funcionamento, o Legislativo local jamais havia sido comandado por uma mulher. A escolha unânime do plenário representa um deslocamento na estrutura de poder de um município marcado por hegemonia masculina persistente.

O número inédito na nova composição da Casa,  que abriga quatro vereadoras, já sugeria um ambiente de mudança. A vitória de Cida, após a retirada da candidatura de João Paulo Fernandes Resende, solidifica uma inflexão mais profunda. Ela demonstra avanço feminino como resultado de uma articulação política consistente. A disputa interna que definiu a vice-presidência voto a voto e reorganizou a Mesa Diretora reforça que o Legislativo vive um momento de reposicionamento, no qual mulheres ocupam, disputam e lideram.

E esse simbolismo não é abstrato. Em um país onde mulheres enfrentam ataques, violência política e uma escalada de feminicídios, gestos como este transcendem os limites da Câmara. Ele comunica à cidade, e a toda a microrregião do Alto Paraopeba, que o lugar da mulher não é exceção nem concessão tardia. É presença necessária. É reparação histórica. É afirmação de direito.

Mas este editorial também nasce para lembrar que avanços institucionais nunca são ponto de chegada. O fato de Lafaiete ter sua primeira presidente mulher em mais de dois séculos não elimina a desigualdade crônica que empurra as mulheres para fora dos espaços de decisão, nem resolve a sub-representação que ainda marca o Legislativo. O momento exige celebração, mas exige igualmente vigilância.

Se a eleição de Cida abre portas (e abre!), é preciso que elas permaneçam destravadas para todas que virão. Que a conquista de hoje se traduza em ambiente político mais plural, em participação ampliada e em condições reais para que mulheres assumam, disputem e permaneçam no poder. Que o Legislativo reflita a cidade que representa. Em Lafaiete, pela primeira vez em 235 anos, uma mulher ocupará a cadeira mais alta da Casa. Não é apenas um fato político. É um aviso: a mudança começou!

 




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Postado por Maria Teresa, no dia 21/12/2025 - 12:47


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