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Política


‘Mais pobre’ da região, Lafaiete tem um dos maiores investimentos em Saúde e a pior renda per capita

Rede municipal atende quase 140 mil moradores, recebe pacientes de outros 20 municípios e convive com uma população flutuante de 50 mil pessoas; quando comparada a outras cidades, a disparidade se torna ainda mais evidente



Foto: Arquivo Jornal CORREIO



Lafaiete vive uma situação contraditória que ajuda a explicar gargalos complexos na área da Saúde. De acordo com dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE) em 2024, o município registrou a menor renda per capita entre as 28 cidades da região analisadas, apenas R$ 3.670,78 por morador. Ainda assim, foi a segunda que mais investiu em Saúde: atrás apenas de Belo Vale (37,24%), destinou 36,61% de sua base de cálculo ao setor.

O percentual mais que dobra o mínimo de 15% exigido pela legislação brasileira para os municípios, conforme a Emenda Constitucional 29 e a Lei Complementar 141/2012. O esforço coloca o gasto anual em Saúde em R$ 777,91 por habitante, mas esse valor, apesar de elevado em termos proporcionais, posiciona Lafaiete apenas na 24ª colocação entre as 28 cidades avaliadas quando o critério é gasto real por morador. Atualmente, a estrutura da cidade inclui 39 postos da Estratégia de Saúde da Família (ESFs), seis Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e quatro Centros Regionais de Saúde, além da Unidade de Vacinação e da UPA 24h. Ou seja, a prioridade existe, mas esbarra nas limitações de arrecadação. Esse desequilíbrio fica mais claro quando se olha para a realidade local.

Além dos 138.946 habitantes estimados pelo IBGE em 2025, Lafaiete recebe fluxo constante de pacientes de aproximadamente 20 municípios vizinhos e convive com uma população flutuante estimada em mais 50 mil pessoas. Em termos simples, há mais gente precisando do sistema do que o orçamento consegue sustentar. O resultado é um esforço financeiro que evita retrocessos, mas tem dificuldade de se traduzir em evolução consistente dos serviços. O investimento se espalha por uma rede maior do que a capacidade arrecadatória da cidade permitiria. Em poucas palavras, o básico é feito em casa, mas a espera pode ser maior que o desejável para exames de imagem, cirurgias de pequeno, médio e grande porte ou outras formas de atendimento especializado.

Panorama regional
Quando comparada a outras cidades da região, a disparidade se torna ainda mais evidente. Congonhas, por exemplo, vive uma realidade oposta. Lá, a renda per capita chega a R$ 19.937,77 — mais de cinco vezes a de Lafaiete. Mesmo destinando uma fatia menor do orçamento para a Saúde em relação a Lafaiete (28,84%), o gasto por habitante é mais de quatro vezes maior, alcançando R$ 3.193,34 ao ano. Barbacena e São João del-Rei também ajudam a relativizar uma leitura superficial dos números. São cidades com renda per capita superior, mas que, ao destinarem percentuais menores à Saúde (15,22% e 17,44%, respectivamente), acabam gastando menos por morador do que Lafaiete.

Ouro Branco aparece como um meio-termo interessante. Com renda per capita de R$ 8.056,82 e gasto anual de R$ 1.618,21 por habitante, o município demonstra equilíbrio financeiro e consegue aplicar recursos em volume suficiente para ampliar e sustentar a rede com menor pressão orçamentária.

Soluções possíveis
Hoje, a cidade tenta avançar com emendas parlamentares que, quando destinadas, injetam recursos esporádicos capazes de financiar pequenas melhorias estruturais. Há, no entanto, caminhos que podem alterar essa dinâmica. Um deles é fortalecer mecanismos de redistribuição federativa, ampliando a parcela de recursos recebida por municípios com baixa capacidade de arrecadação, mas grande papel assistencial para a região. Outra medida é tornar mais rígida a pactuação interfederativa, garantindo que a responsabilidade pelo atendimento seja compartilhada e que o município que suporta o maior fluxo de pacientes não arque sozinho com o custo da estrutura.


 




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Postado por Rafaela Melo, no dia 26/11/2025 - 12:22


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