Foto: Marcos Kadore
Nesta entrevista exclusiva ao Jornal CORREIO, Gilson Alexandre explica de forma direta o que é, de fato, a inteligência artificial
Com quase duas décadas de experiência em infraestrutura e pesquisador autodidata em inteligência artificial desde 2005, o arquiteto de redes Gilson Alexandre tem acompanhado de perto a evolução e os impactos dessa tecnologia no mundo do trabalho, na educação e na segurança digital. Nesta entrevista exclusiva ao Jornal CORREIO, ele explica de forma direta o que é, de fato, a inteligência artificial, quais são seus benefícios e riscos, e por que a formação humana e o pensamento crítico são mais essenciais do que nunca. A conversa em vídeo pode ser conferida na íntegra no canal do Jornal CORREIO no YouTube.
Jornal CORREIO: Por que você decidiu trabalhar com inteligência artificial?
Gilson Alexandre: Em 2019, um amigo me convidou para participar da melhoria de uma startup de IA. Eu já atuava com tecnologia profissionalmente desde 2010, mas foi ali que mergulhei de vez nesse universo. Aceitei o desafio e segui no tema, inclusive após a aquisição da empresa. Hoje, continuo na área e também mantenho meu próprio negócio voltado para IA.
Jornal CORREIO: Como você define, de forma simples, a inteligência artificial?
Gilson Alexandre: Costumo dizer que, se pensarmos em “inteligência”, a IA ainda é uma “burrice artificial”. Ela não tem consciência ou julgamento; apenas executa tarefas específicas com muita eficiência. Em essência, é um software que aprende padrões e reproduz ações com base em dados.
Jornal CORREIO: Há diferentes tipos de IA em uso hoje?
Gilson Alexandre: Sim. A mais comum é a IA FRACA (ANI), projetada para tarefas genéricas, como os grandes modelos de linguagem, tradutores e assistentes virtuais. Já as chamadas ias fortes são voltadas para problemas altamente especializados, como aplicações médicas, astronômicas e robóticas.
Jornal CORREIO: As empresas brasileiras estão preparadas para essa transformação?
Gilson Alexandre: As grandes empresas, sim. O Brasil está entre os países que mais utilizam IA corporativa. Pequenas e médias empresas ainda caminham devagar, mas já se beneficiam indiretamente, porque muitas ferramentas de gestão e marketing incorporaram IA nos bastidores.
Jornal CORREIO: Quais são os principais riscos dessa tecnologia?
Gilson Alexandre: O maior é o da segurança da informação. Quanto mais dados circulam, maior o risco de vazamentos e uso indevido. Outro risco é o cognitivo: pessoas (e especialmente crianças) começam a depender demais da IA e perdem o hábito de pensar, analisar e questionar.
Jornal CORREIO: Como o usuário pode saber se uma informação gerada por IA é confiável?
Gilson Alexandre: Verifique sempre em mais de uma fonte. Não confie apenas na resposta da IA ou na mensagem que você recebe em um aplicativo. Gaste cinco minutos conferindo em portais e sites oficiais, pois esse tempo pode evitar a propagação de desinformação.
Jornal CORREIO: A legislação brasileira já protege o cidadão nesses casos?
Gilson Alexandre: Sim, em parte. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) define regras sobre coleta, armazenamento e uso de informações pessoais. Mas a proteção só é efetiva se houver políticas internas, auditorias e cuidado técnico das empresas.
Jornal CORREIO: A IA vai substituir empregos humanos?
Gilson Alexandre: Vai transformar, não eliminar. Assim como aconteceu na Revolução Industrial, tarefas repetitivas tendem a ser automatizadas. Por outro lado, surgem novas funções. A IA, inclusive, favorece o empreendedorismo: uma pequena equipe pode fazer o trabalho de uma grande empresa, desde que use as ferramentas com estratégia.
Jornal CORREIO: E quais são as desvantagens sociais mais preocupantes?
Gilson Alexandre: A perda de senso crítico e criatividade é uma delas. Outra é o risco de dados pessoais vazarem ou serem manipulados. E há um problema sutil: muita gente acredita que o conteúdo gerado pela IA é “seu conhecimento”, quando, na verdade, é apenas um resultado técnico que precisa de checagem.
Jornal CORREIO: E quais cuidados práticos as empresas devem ter ao adotar IA?
Gilson Alexandre: Avaliar segurança e privacidade. Não inserir informações sensíveis em modelos públicos, exigir cláusulas de proteção de dados em contratos e monitorar quem acessa e como os dados são tratados. Segurança deve vir antes da inovação.
Jornal CORREIO: Para encerrar: qual a mensagem central que você deixaria sobre o tema?
Gilson Alexandre: Encare a IA como ferramenta, que é poderosa, mas limitada. Ela amplia o que somos capazes de fazer, mas não substitui nossa responsabilidade de pensar, checar e proteger. Quem souber usar com consciência terá vantagem; quem usar sem entender, corre riscos.
Gilson Alexandre é arquiteto de soluções de redes, automações e especialista em inteligência artificial, atuando também como consultor pela empresa Kadima.
Contato: [email protected]
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Acesse e confira o vídeo com a entrevista completa.
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Postado por Rafaela Melo, no dia 14/11/2025 - 12:50