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Essa valorização acompanha tendências mais amplas de comportamento
O cheiro de bolo saindo do forno, o arroz soltinho preparado pela avó, o purê cremoso que lembra a infância. Mais do que matar a fome, a comfort food tem alimentado emoções e, cada vez mais, movimentado a economia. O consumo de alimentos preparados em casa cresceu 5,5% no primeiro trimestre de 2025, segundo relatório da Kantar, e esse retorno ao lar está diretamente ligado ao conforto e à busca por bem-estar emocional. De acordo com a Agência Brasil, a indústria de alimentos registrou um aumento de quase 10% no faturamento em 2024, impulsionada justamente por categorias associadas ao prazer e à nostalgia. Na prática, isso significa que a comida voltou a ocupar um papel central, o de aconchegar, acolher e reconectar as pessoas com suas memórias afetivas.
O que é comfort food e por que faz sucesso
O termo “comfort food”, ou comida de conforto, surgiu nos Estados Unidos, nos anos 1970, quando pesquisadores começaram a observar como certos alimentos despertavam emoções positivas e lembranças de momentos felizes. O conceito rapidamente se espalhou, tornando-se símbolo de aconchego em tempos de incerteza. Hoje, a gastronomia afetiva vai além da nostalgia, ela reflete um movimento social em que a alimentação assume também um papel emocional e cultural. Um estudo da Universidade de Buffalo revelou que pensar em alimentos reconfortantes pode reduzir a sensação de solidão, já que esses pratos evocam memórias de afeto e pertencimento.
Crescimento da gastronomia afetiva e tendências de consumo
Essa valorização acompanha tendências mais amplas de comportamento. Relatórios da Food Forum e da Galunion destacam que, em 2025, a “valorização da brasilidade” é um dos principais movimentos na gastronomia nacional. Isso significa que pratos tradicionais, como feijoada, moqueca, bolo de fubá e pão de queijo, estão sendo revisitados, seja em versões gourmetizadas ou em releituras mais práticas, adaptadas à rotina moderna. Essa redescoberta dos sabores familiares também está presente nas cozinhas profissionais. Restaurantes e serviços de delivery têm apostado em cardápios afetivos, oferecendo pratos que despertam emoções, mesmo fora de casa.
Como comfort food impacta hábitos alimentares e experiências
Para cada pessoa, o alimento de conforto assume uma forma diferente, podendo ser uma lasanha de carne moída preparada pelos pais, um caldo quente em dia de chuva ou um doce que remete à infância. O que todos têm em comum é o poder de provocar memórias positivas e criar uma sensação imediata de bem-estar. A psicóloga e pesquisadora em comportamento alimentar Rachel Herz, da Universidade Brown, no artigo “Why You Eat What You Eat: The Science Behind Our Relationship With Food”, explica que esse tipo de vínculo é neuroquímico, pois o cérebro associa o sabor e o aroma dos alimentos às lembranças emocionais, liberando dopamina, o chamado “hormônio da felicidade”. É por isso que o simples ato de comer algo familiar pode ter efeito calmante.
Entre o afeto e o consumo: a comida como linguagem cultural
O aumento do interesse pela “comfort food” revela que o prazer de comer passou a ser visto não como um luxo, mas como uma forma legítima de equilíbrio emocional. Ao mesmo tempo, a indústria tem se adaptado para atender essa demanda: empresas de alimentos e pequenos empreendedores apostam em produtos que evocam o “feito em casa”, valorizando ingredientes simples e modos de preparo tradicionais. Independentemente do tipo de comida, cada refeição se torna uma pausa simbólica e um lembrete de que o conforto, às vezes, cabe em um prato.
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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 09/11/2025 - 17:20