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De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, "a aprovação das diretrizes permite alinhar a educação médica às necessidades sociais de saúde"
Em setembro deste ano, o Ministério da Educação (MEC) lançou as novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para os cursos de medicina no país, com a intenção de desenvolver uma formação humanizada e alinhada às necessidades do SUS, o Sistema Único de Saúde. Essa mudança faz parte do objetivo de tornar o ensino superior em medicina mais próximo da população, tornando-a mais focada na escuta ativa e na atenção básica ao paciente. De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, “a aprovação das diretrizes permite alinhar a educação médica às necessidades sociais de saúde, ao fortalecimento do SUS e aos desafios contemporâneos [...]”.
Principais mudanças nas diretrizes para cursos de medicina
As novas diretrizes decorrem de um processo que começou em 2023, conduzido pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), e envolveu diversas etapas: consultas públicas, audiências, reuniões com universidades, entidades médicas, gestores na área da saúde, estudantes e a própria sociedade. A revisão das diretrizes se deu, a princípio, pela distância da resolução anterior, que ocorreu há quase 10 anos. As mudanças tecnológicas e sociais avançaram, de maneira que as diretrizes anteriores não comportavam as reais necessidades da atualidade.
Formação de qualidade e acompanhamento
Entre as medidas para garantir a qualidade da formação dos futuros médicos brasileiros, estão a participação de todos os estudantes no ENAMED (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) do quarto ano do curso a partir de 2026 e no ENARE (Exame Nacional de Residência), que agora contará com 100 questões de múltipla escolha. Haverá uma supervisão dos cursos com baixo desempenho no ENAMED, inclusive com visitas presenciais ao curso.Além disso, as graduações de medicina deverão oferecer aos alunos a infraestrutura física adequada, bem como a infraestrutura tecnológica e humana, durante toda a formação dos médicos, de acordo com o Projeto Pedagógico do Curso (PPC).
Diversidade e inclusão
As novas diretrizes também valorizam a diversidade e a inclusão de todas as pessoas, promovendo políticas institucionais de pertencimento e apoio aos estudantes que estejam dentro dos grupos étnico-raciais, culturais, sociais, de orientação sexual, gênero e neurodivergentes. Núcleos de apoio psicossociais foram incluídos como obrigatórios, bem como outros programas voltados para mentoria de saúde mental.
Formação humanizada, com foco no SUS
Principal mudança, o foco na humanização do ensino é um dos pilares das novas diretrizes. O MEC quer transformar como os futuros médicos se relacionam com os pacientes, considerando não apenas os sintomas, mas também os fatores emocionais, sociais e familiares, que são essenciais ao cuidado. A faculdade de medicina deverá, agora, priorizar a integração com o SUS, o que amplia as oportunidades de aprendizado em contextos reais de atendimento – vivência essencial para os estudantes de medicina e outros profissionais da saúde. O acompanhamento em unidades básicas de saúde e hospitais regionais em aulas práticas será feito desde o início do curso, a começar pela atenção primária, até alcançar níveis de maiores complexidades, como cirurgias e terapias intensivas. Camilo Santana, ministro da Educação, ainda reforçou que “[...] as diretrizes olham para a saúde mental, a tecnologia e as questões de inclusão, com base na realidade que estamos vivendo”.
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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 06/11/2025 - 13:50