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Editorial: Lafaiete precisa de mais praças, livrarias, espaços culturais e menos farmácias

Segundo levantamento feito pelo jornal CORREIO, já são mais de 100 farmácias na cidade



Foto: Arquivo Jornal CORREIO


Lafaiete precisa de mais livrarias, mais praças, espaços culturais e áreas de lazer

Nos últimos anos assistimos impávidos ao falecimento de livrarias e espaços culturais em Lafaiete. Esses locais, tão importantes para nossa vida, foram substituídos por lanchonetes, barbearias e, claro, farmácias, muitas farmácias. Houve um tempo em que Lafaiete era pródiga em livrarias e galerias onde a turma da cultura se reunia, sempre nas tardes de sábados, para discutir literatura, política de boa qualidade – sem ideologia – ler os jornais e falar sobre o futuro da cidade. Tudo de forma saudável e, sobretudo, respeitosa, coisas difíceis nos dias de hoje, principalmente quando o tema da prosa é política partidária. Exemplo disso foi o tradicional Espaço Lafaiete, fundado pelo saudoso José Carlos Seabra, na rua Melo Viana.

O problema em questão não é só privilégio de Lafaiete, mas do Brasil inteiro. No entanto, em nosso município, esse drama do cotidiano atingiu contornos dramáticos e, cá para nós, só faz piorar nossa qualidade de vida. É incrível, mas quando fecha um boteco, surge outro no lugar, mas nunca uma galeria de arte, livraria ou nem mesmo um espaço musical. Recentemente, o talentoso artista Paulinho Demolidor, que mantém seu ateliê e um museu às margens da BR-482, no bairro Gigante, anunciou que pode vir a fechar as portas por falta de apoio e, pasmem, visitantes. No local, é possível conhecer as esculturas de arte em ferro do artista e viajar na história de Lafaiete, através das ferramentas antigas, das TVs, do rádio e da imprensa.

Nada contra as farmácias, principalmente as grandes redes de drogarias, que geram empregos e impostos para o município. Entretanto, achamos que o número desse tipo de comércio aumentou absurdamente, principalmente no período pós-pandemia. Por isso, nossa defesa em torno das livrarias e, principalmente, dos espaços públicos que valorizam a qualidade de vida. Parafraseando o escritor Ruy Castro, “ler pode ser um preventivo contra doenças de que só nos sabemos portadores quando entramos numa farmácia”. Esse nosso pedido desesperado para se abrir menos farmácias e mais espaços ligados à arte, na cidade, tem tudo para cair no vazio e na escuridão da intolerância, mas é nosso papel chamar para o debate o que entendemos ser altamente prejudicial para a população. Menos farmácias, mais livrarias.

 




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Postado por Maria Teresa, no dia 25/10/2025 - 10:07


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