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Comunidade


Igreja em Lafaiete atua na prevenção ao suicídio e oferece acolhimento a pessoas em sofrimento emocional

Pastor Washington Bhegnton explica como fé, aconselhamento e apoio comunitário ajudam no enfrentamento da desesperança, sempre com encaminhamento a profissionais quando necessário



Foto: Sônia Santos


Pastor Washington Bhegnton


O suicídio é um dos grandes desafios de saúde pública da atualidade, cercado de estigmas, preconceitos e dores silenciosas. Em Conselheiro Lafaiete, a Igreja Evangélica Casa da Bênção, localizada na rua Cônego João Pio, nº 48, no bairro Lourdes, desenvolve um trabalho voltado para a prevenção e o acolhimento de pessoas que enfrentam sofrimento emocional profundo. O pastor Washington Bhegnton, à frente da comunidade, falou sobre como a fé, o aconselhamento e a solidariedade podem atuar como instrumentos de apoio, sem abrir mão do suporte profissional quando necessário.

Conscientização e primeiros cuidados

De acordo com o pastor, a igreja realiza um trabalho inicial de aconselhamento e conscientização. O objetivo é mostrar que a vida tem valor e que o suicídio não representa solução para os problemas enfrentados. “Em um primeiro momento, nós conversamos e procuramos entender de onde vem o sofrimento. O suicídio é muitas vezes resultado de dores acumuladas, situações que a pessoa carrega desde a infância, como rejeição, abuso, dificuldades familiares ou financeiras. Quando ela não consegue enxergar saída, acredita que a morte é a única resposta. Nosso papel é mostrar que sempre há esperança”, explicou. Washington Bhegnton reforça que, além do diálogo, é essencial identificar a raiz do problema. “Não adianta apenas aconselhar. Precisamos investigar o que está na origem daquela dor, porque muitas vezes é algo guardado há anos. O nosso trabalho é tentar trazer à tona essas questões e buscar formas de enfrentá-las.”

Limites do aconselhamento e parceria com profissionais

O líder religioso também reconhece que nem todos os problemas podem ser tratados dentro do espaço da fé. Há situações que exigem acompanhamento especializado. “Não podemos espiritualizar tudo. Existem questões espirituais, sim, mas também existem problemas orgânicos e psicológicos. Quando percebemos que é necessário, encaminhamos a pessoa para psicólogos ou outros profissionais, pois cada um tem uma área de atuação. Fazemos a nossa parte, mas respeitamos a importância da ciência”, afirmou. Essa postura, segundo o pastor, é fundamental para salvar vidas, já que o suicídio muitas vezes está ligado a doenças mentais ou traumas que precisam de tratamento especializado. “Se está além da nossa alçada, buscamos quem possa oferecer a ajuda adequada. O importante é que a pessoa não fique sem apoio”, acrescentou.

A fé como instrumento de transformação

Para Washington Bhegnton, a fé desempenha papel central na recuperação emocional. Ele destaca que todos possuem algum tipo de fé, que pode ser tanto positiva quanto negativa. A fé negativa, segundo ele, é aquela que leva a pessoa a acreditar que sua vida não tem valor, reforçando pensamentos autodestrutivos. Já a fé positiva desperta esperança e confiança na mudança. “Nós trabalhamos para ativar essa fé positiva dentro da pessoa. Quando ela começa a acreditar que sua vida pode melhorar, isso já desencadeia mudanças no organismo. Existe um processo chamado placebo, que é cientificamente reconhecido. Palavras de fé podem ativar o cérebro, liberando hormônios que trazem bem-estar e esperança”, disse. O pastor ressalta ainda que, nesse aspecto, fé e ciência caminham juntas. “A Bíblia já ensinava muitas dessas verdades há séculos. A medicina, por meio de experiências, comprova hoje o que a Bíblia orientava. Existem estudos em hospitais mostrando que grupos que receberam estímulos de fé tiveram até 70% mais chance de cura em comparação com aqueles que não receberam. Ciência e fé não são inimigas, elas se complementam.”

Comunidade como rede de apoio

Outro ponto destacado pelo pastor é o papel acolhedor da comunidade religiosa. Segundo ele, muitas pessoas que buscam ajudam na igreja não encontram esse apoio dentro de casa. “Quando alguém chega até nós em desespero, mobilizamos a comunidade. Os membros da igreja se unem como irmãos para dar suporte. Isso faz toda a diferença, porque a sensação de abandono e solidão é um dos fatores que intensificam o sofrimento”, afirmou. Ele destacou que a união da comunidade é capaz de criar um ambiente seguro, onde as pessoas podem se sentir aceitas, compreendidas e amparadas. “Esse apoio coletivo é fundamental para que elas não desistam. A igreja mostra que ninguém precisa enfrentar os problemas sozinho.”

Testemunhos de superação

O pastor também compartilhou sua própria trajetória como exemplo de superação. Ele contou que veio de uma família muito pobre e sem perspectivas de futuro, mas que, com fé, trabalho e perseverança, conseguiu prosperar. “Eu sou um testemunho vivo de que é possível vencer. O ser humano é o único animal capaz de dar a volta por cima diante dos problemas. Procuramos despertar isso nas pessoas, mostrando que elas também podem recomeçar e construir uma vida melhor.” Na igreja, há também inúmeros relatos de membros que conseguiram superar momentos difíceis com o apoio da fé e da comunidade. Esses testemunhos servem como inspiração para outros que chegam em busca de ajuda.

Um espaço de fé e esperança

Ao final, o pastor Washington Bhegnton destacou que a missão da Igreja Casa da Bênção é oferecer esperança, acolhimento e ferramentas para que cada pessoa possa reencontrar sentido na vida. “Nosso papel é mostrar que a vida vale a pena e que nenhum problema é maior do que a capacidade humana de superação. A fé, o aconselhamento, a ciência e o apoio da comunidade formam juntos uma rede poderosa de prevenção ao suicídio e de promoção da vida”, concluiu.

 




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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 28/09/2025 - 17:50


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