Foto: Arquivo Jornal CORREIO
Segundo a Copasa, os níveis atuais desses mananciais estão dentro da média histórica
Lafaiete parece viver, por ora, uma situação estável no abastecimento de água. A cidade consome em média mais de 25 milhões de litros por dia, retirados quase exclusivamente dos ribeirões Bananeiras e Almeidas. Segundo a Copasa, os níveis atuais desses mananciais estão dentro da média histórica e não há risco de racionamento nos próximos meses. Mas, embora a concessionária destaque obras e programas ambientais em andamento, ambientalistas apontam que a relação entre oferta e consumo de água é frágil e que a cidade precisa avançar com urgência em políticas públicas de proteção dos mananciais.
De acordo com o gerente regional da companhia, Alexandre Roberto Silva, uma série de medidas vem sendo implementadas para reforçar a segurança hídrica da população, inclusive projetos do Programa Pró-Mananciais. Essas intervenções começaram pela bacia do ribeirão Almeidas e, em 2025, foram estendidas também ao Bananeiras. Na parte estrutural, a principal obra em andamento é a nova captação no Alto da Varginha, orçada em R$ 7 milhões. A expectativa é de ampliar em 40% a capacidade atual de captação, trazendo mais segurança para o sistema.
Além disso, em 2024 e 2025 a Copasa destinou R$ 13 milhões à prevenção de perdas, com a substituição de 25 mil metros de redes e redistribuição de tubulações - o que reduz vazamentos e evita desabastecimentos em períodos de manutenção. Somados a R$ 1,5 milhão em ações do Pró-Mananciais e R$ 1,8 milhão em melhorias operacionais, os investimentos no biênio chegam a R$ 23,3 milhões.
Ainda segundo Alexandre Roberto Silva, o acompanhamento dos mananciais é diário. “No ribeirão Almeidas, que forma uma lagoa a montante, a medição é feita por régua de nível; no Bananeiras, sem lago, o controle é feito por outros métodos, mas ambos vêm mantendo constância em relação a anos anteriores. Além disso, técnicos analisam diariamente parâmetros como turbidez e composição para garantir a qualidade da água tratada e distribuída. Queimadas registradas na região, felizmente, não afetaram o sistema de captação.
Ações do Programa Pró-Mananciais
226 barraginhas para retenção de água da chuva;
19.035 metros de curvas de nível;
31.604 metros de adequação de estradas rurais com orientação ambiental;
111 “bigodes” e 34 lombadas em estradas para conter erosões;
49 mil metros de cercamento de nascentes;
15.050 mudas plantadas em áreas de reflorestamento.
Fragilidades apontadas
Apesar do cenário apresentado pela concessionária, o consultor ambiental e membro do Conselho Municipal de Desenvolvimento Ambiental (Codema), Ricardo da Rocha Vieira afirma que a situação de Lafaiete não pode ser considerada tranquila. “Na relação oferta e consumo, nossa situação de água não é confortável. Alterações no uso do solo, desmatamento, ocupação irregular, queimadas e poluição reduzem a disponibilidade e a qualidade dos recursos hídricos”, observa.
O ambientalista recorda ainda que, em 2014, a cidade viveu sua pior crise de abastecimento, quando a Copasa precisou captar o volume morto de reservatórios. Para ele, sem planejamento e proteção mais rígida das áreas de recarga, há risco de episódios semelhantes se repetirem: “É preciso elaborar um Plano Diretor de Recursos Hídricos, que estabeleça zonas de proteção dos mananciais e defina atividades compatíveis nas bacias de abastecimento. Recentemente, uma proposta de parcelamento de solo em área de captação foi barrada após conflito entre interesses privados e a necessidade de proteger a oferta de água”, acrescenta.
Além de avanços legais, Vieira destaca a importância de cercar nascentes, recuperar áreas degradadas e ampliar campanhas de uso consciente. “Muita gente acha que a água brota atrás da parede; que basta abrir a torneira. Mas cada litro consumido é retirado diretamente dos nossos rios, e a demanda só cresce”, afirma.
Consumo consciente
Mesmo sem risco imediato de racionamento, a Copasa recomenda cautela. Entre as orientações, estão reduzir tempo de banho, fechar torneiras ao escovar os dentes, usar balde em vez de mangueira na lavagem de carros e calçadas, juntar roupas para menos lavagens semanais e reparar vazamentos em imóveis. “O sistema opera normalmente, mas é fundamental que cada um faça a sua parte”, conclui o gerente regional Alexandre Roberto Silva.
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Postado por Rafaela Melo, no dia 14/09/2025 - 12:52