Foto: arquivo pessoal
Padre Paulo Edson Moreira - pároco da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Lourdes
O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, lembrado em 10 de setembro, foi instituído com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre a importância de cuidar da saúde mental e oferecer apoio a quem atravessa momentos de dor e desesperança. A data integra a campanha Setembro Amarelo, realizada no Brasil desde 2015, que promove palestras, debates e ações de mobilização em todo o país. O movimento busca romper o silêncio que muitas vezes cerca o tema, lembrando que falar é sempre o melhor caminho e que qualquer vida importa. A cor amarela se tornou símbolo da campanha a partir da história de Mike Emme, um jovem americano de 17 anos que, em 1994, morreu por suicídio em seu Mustang amarelo. No funeral, familiares e amigos distribuíram cartões da mesma cor com mensagens de apoio, gesto que se transformou em símbolo de solidariedade e prevenção. Em 2003, a Organização Mundial da Saúde (OMS) oficializou o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, e desde então a cor do sol passou a representar a luta por mais esperança e acolhimento.
Em Conselheiro Lafaiete, o pároco da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Lourdes, padre Paulo Edson Moreira, falou sobre a importância do Setembro Amarelo e da missão da Igreja diante das dores humanas. Ele destacou que vivemos em uma sociedade marcada por mudanças rápidas, violência crescente e dificuldades econômicas, fatores que contribuem para a perda do sentido da vida em muitas pessoas. “Pais e mães vivem preocupados. Vemos famílias desorientadas, jovens sem perspectiva, pessoas entrando em processos de síndrome do pânico e depressão. Setembro nos convida a refletir com responsabilidade sobre tudo isso”, afirmou. Segundo o sacerdote, as pressões sociais e as dificuldades financeiras agravam o sofrimento cotidiano. “Entramos no supermercado e saímos com poucas sacolas por um preço altíssimo. Muitos não têm casa própria e pagam aluguéis abusivos. Outros trabalham em ambientes difíceis, com salários insuficientes, precisando “vender o almoço para pagar a janta”. Nesse contexto de privações, não é raro que a dor se torne insuportável e leve ao desespero”, observou.
Padre Paulo Edson lembrou que a vida humana é marcada por escolhas, e que decisões equivocadas podem tornar o caminho ainda mais pesado. Porém, ressaltou que ninguém deve enfrentar suas dores sozinho. “Todos nós carregamos cruzes, mas precisamos de apoio mútuo. Quando encontramos alguém em sofrimento, não devemos julgar ou fazer questionamentos, mas sim escutar, deixar que a pessoa expresse suas angústias e oferecer acolhimento verdadeiro”, reforçou. O pároco também refletiu sobre o papel da Igreja e dos líderes religiosos nesse processo. Para ele, os pastores têm a responsabilidade de estar próximos do povo, especialmente dos mais sofridos. “Nosso saudoso Dom Luciano Mendes tinha essa capacidade de olhar nos olhos, de penetrar o coração das pessoas e transmitir esperança. O Papa Francisco também nos lembra que o pastor deve ter o cheiro das ovelhas. Isso significa estar junto”.
Ele fez ainda uma crítica às fragilidades no combate à violência contra a mulher, lembrando que muitas vítimas, diante do sofrimento, chegam ao suicídio. Defendeu a adoção de medidas mais eficazes para proteger as mulheres, como o uso de tornozeleiras eletrônicas por agressores, para garantir que as medidas protetivas não sejam apenas simbólicas. Para o sacerdote, a missão da Igreja deve ser inspirada na atitude samaritana: aproximar-se de quem está ferido, sem julgamentos, e cuidar da vida em todas as suas formas. “Diante de Jesus, ninguém passava despercebido. Ele percebia o grito de socorro mesmo no meio da multidão. É essa sensibilidade que devemos cultivar”, afirmou. Finalizou sua fala recordando o tema bíblico escolhido para este mês pela Igreja: “A esperança não decepciona” (Romanos 5,5). Ele destacou que essa mensagem deve servir de guia para cristãos e para toda a sociedade. “O dom da vida nos foi dado por Deus e precisa ser cuidado. Hoje, mais do que nunca, é necessário caminhar juntos, em espírito de solidariedade. Não podemos permitir que pessoas sofram sozinhas. Setembro Amarelo é um chamado à responsabilidade de todos nós: Igreja, sociedade e famílias. Nossa missão é proteger, amar e dar esperança a quem já não encontra forças para seguir”, concluiu.|
Quando encontramos alguém em sofrimento, não devemos julgar ou fazer questionamentos, mas sim escutar, deixar que a pessoa expresse suas angústias.
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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 10/09/2025 - 10:46