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Região


Santana: Patrimônio Cultural de Minas

Município alcança 26,41 pontos no ranking de ICMS/ Patrimônio Cultural, e fica abaixo apenas de Piranga, líder regional



Fotos: José Geraldo Dutra


A tradição imaterial do povo santanense se soma às centenárias edificações urbanas e fazendeiras

Santana dos Montes alcançou 26,41 pontos no ranking regional das cidades detentoras de ICMS/Patrimônio Cultural, (que repassa a municípios mineiros recursos de ICMS da chamada Lei Robin Hood). Logo abaixo de Piranga, líder regional. As duas cidades têm em comum um grande número de edificações de sua história protegidos por tombamentos sendo estaduais e/ou municipais. No ano de 2010 as cidades de Minas passaram a aumentar sua participação nesse programa com a inclusão do patrimônio cultural imaterial, intangível, de suas raízes, de seu tecido social. Provocados pela ONU/UNESCO, como resposta mundial à globalização, (que ameaça as culturas e as gentidades das aldeias locais/nacionais) passamos a valorizar nossas tradições mais caras de nosso folclore presente em nossa religiosidade ou em nosso espírito profano como nosso carnaval, nossas violas e folias, nossas danças de quadrilhas e nossas festas do cavalo.

Passamos a valorizar nossas tradições mais caras: nossas violas e folias, quadrilhas e festas do cavalo

Mas foi partir do ano de 2002, na Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais que o professor Ângelo Osvaldo de Araújo Santos, tendo à frente do IEPHA/MG nomes como Flávio Carsalade e Marilia Machado, (como total dedicação e apoio do CONEP-Conselho Estadual do Patrimônio Cultural) revolucionaram a maneira como nós mineiros passamos a cuidar de nossa cultura patrimonial.  Minas se mostrou grande e colorida: a cultura viajou da capital para o interior rico dos mineiros com suas histórias fantásticas e abençoadas por 3 séculos dourados. E toda cidade é histórica, porque todos nós temos um povo valoroso, que construímos nossas identidades no tempo, a cada geração.

Santana dos Montes teve sua primeira fazenda do ciclo do ouro em 1717 (Fazenda Maucabelo, infelizmente demolida). Ali se plantou milho, feijão e mandioca para envio á região da Vila Rica, onde crises de abastecimentos de víveres assolavam a mineração já demograficamente saturada pela corrida aurífera (Ouro Preto, em 1700, tinha 10.000 habitantes - maior metrópole da América Latina). Mais fazendas vieram fazer a história de Santa Ana do Morro do Chapéu: Papagaio, Fonte Limpa, Caititu, Paciência, Bom Retiro, São Pedro, Mamona do Antônio Quirino...

 

Em 1729 esses fazendeiros começaram a construir uma Capela em honra a Santa Ana. Ao largo da matriz, construíram suas “casas da rua” que até hoje perfazem o conjunto do centro histórico tombado pela cidade e pelo IEPHA/MG. (Nas novenas de Nossa Senhora ou na Semana Santa para a antiga Villa acorriam em carros de boi o senhor da fazenda, sua família, com seus escravizados. Necessário era serem vistos participando do ofício religioso coletivo da santa madre igreja). Santana dos Montes tem hoje 8 fazendas tombadas (6 pela cidade e 2 pelo IEPHA/MG) e mais 15 inventariadas, também protegidas. 

Os registros de bens da tradição imaterial do povo santanense como o Carnaval nos Montes, a Folia de Reis, o Congado e a Escola de Violeiros Chico Lobo (essa completa 20 anos em 2026 como uma bem sucedida notícia de projeto social que resgata uma cultura) se somam ás centenárias edificações urbanas e fazendeiras: um caso interessante em Minas Gerais onde os turistas se hospedam em pousadas de charme, que também são patrimônio cultural das terras bentas portuguesas/índias/africanas de Santa Ana. Exemplo para as Villas e Fazendas do circuito regional, tão cheios de patrimônio (tão valioso como esse), que carecem de proteção e são instrumentos fundamentais e estratégicos para desenvolvimento pelo turismo sustentável.

Texto: José Geraldo Dutra







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Postado por Maria Teresa, no dia 31/08/2025 - 09:30


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