Fotos: Rafaela Melo/Edmilson Dutra
Moradores mostram a situação do córrego e pedem que algo seja feito logo
Silvana Maria Veloso de Almeida já sabe o que esperar sempre que o céu escurece: água invadindo a casa, lama cobrindo móveis, desespero. Moradora da rua Engenheiro Nelson Teixeira, no São Dimas (zona oeste), ela convive há mais de duas décadas com as consequências de um córrego parcialmente encoberto e sem canalização adequada. “São mais de 20 anos de promessas. Já perdi tudo com enchentes. Quando chove, é um desespero”, resume. Na prática, o que existe no lugar das tão aguardadas obras é um cenário crônico de degradação: lama, lixo, esgoto a céu aberto e risco constante de transtornos e prejuízos em casas e comércios. Nos dias secos, o problema se alastra com mau cheiro persistente e proliferação de insetos. Na terça-feira, dia 22, a nossa reportagem ouviu moradores que descreveram perdas materiais, insegurança e frustração diante da falta de respostas. “Perdi duas camas box, guarda-roupas, colchão, sofá, fogão, comida... tudo. Agora, a única coisa que eu espero do poder público é compaixão”, diz a aposentada Maria Aparecida Lana de Oliveira. Na mesma rua, José Geraldo de Carvalho tenta manter funcionando uma oficina com mais de 50 anos de história. As infiltrações nas paredes, a presença constante de umidade e as rachaduras no prédio o obrigaram a desligar as máquinas. “Fico com medo de a cobertura cair na minha cabeça. Preciso de uma solução antes que seja tarde demais”, alerta. Moradora há 45 anos, Mariana Joaquina Rezende sabe de cor as perdas acumuladas e cobra ação: “Minha vizinha perdeu até a dentadura. Esse novo prefeito precisa olhar por nós. A maioria aqui é idosa.” E os problemas não se resumem à drenagem: há mato alto, acúmulo de lixo e ausência de fiscalização. “Mesmo quem não joga lixo sofre.”, acrescenta. O pedido de socorro é reforçado por Antonélio Albuquerque. Ele afirma que buscou apoio da Prefeitura, mas recebeu apenas confirmações de que o problema é antigo. “Disseram que já tinham várias reclamações. Se a gente não tiver força para resolver, só indo ao juiz.” Com o solo encharcado e sinais de comprometimento das fundações, improvisou um sistema de drenagem com tambores para evitar novos alagamentos. “Aqui é brejo. Qualquer escavação de meio metro já dá água”, explica.
O outro lado - procurada pela nossa reportagem, a Copasa informou que a manutenção do córrego e as obras na região são responsabilidade da Prefeitura de Lafaiete e da concessionária responsável pela BR-040. A companhia afirma que, após vistoria técnica, não identificou problemas em sua rede e atribuiu os episódios de esgoto visível a lançamentos clandestinos. A empresa afirmou, ainda, que, em parceria com o município, está notificando os imóveis que despejam resíduos diretamente nos cursos d’água. Também ouvida pelo Jornal CORREIO, a EPR Via Mineira (concessionária responsável pela BR-040) declarou que concluiu, em junho, intervenções emergenciais no km 630,2 da rodovia, área próxima ao bairro e afetada pelo rompimento de uma tubulação clandestina. Entre as medidas adotadas estariam a estabilização do aterro, a desobstrução de bueiros e a instalação de barreiras metálicas. A obra definitiva está em fase final de projeto, com previsão de conclusão antes do período chuvoso. A concessionária alegou que mantém diálogo com os órgãos competentes e a Defesa Civil e disponibiliza o telefone 0800 003 1040 para apoio à população. A reportagem também entrou em contato com a Prefeitura de Conselheiro Lafaiete, mas, até o fechamento desta edição, não havia obtido resposta.
Na prática, o que existe no lugar das tão aguardadas obras é um cenário crônico de degradação
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Postado por Sônia da Conceição Santos, no dia 02/08/2025 - 14:20