Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasi
Especialistas do setor alertam para os impactos que uma eventual retaliação brasileira pode gerar
Os medicamentos e produtos farmacêuticos são, neste ano, os principais itens importados pelo Brasil dos Estados Unidos. Embora não estejam, a princípio, entre os produtos atingidos pelo tarifaço anunciado por Donald Trump contra o Brasil, especialistas do setor alertam para os impactos que uma eventual retaliação brasileira pode gerar, inclusive no preço de remédios essenciais, como os usados no tratamento de câncer e doenças raras. Em 2023, o Brasil importou quase US$ 10 bilhões em produtos da área médica, incluindo materiais utilizados em cirurgias, reagentes para diagnóstico, instrumentos e equipamentos hospitalares. Boa parte desse volume veio dos Estados Unidos.
Segundo Paulo Fraccaro, CEO da Associação Brasileira de Indústria de Dispositivos Médicos, um possível aumento de tarifas por parte do Brasil pode elevar em até 30% o preço final desses produtos. “Se nós adotarmos a reciprocidade, esses produtos chegarão mais caros nas prateleiras, e o Brasil vai ter que procurar alternativas, como China, Índia e Turquia”, explica.Os Estados Unidos também figuram entre os principais fornecedores de medicamentos de alto custo e com maior carga tecnológica, especialmente os protegidos por patentes. No primeiro semestre de 2025, o Brasil importou US$ 4,3 bilhões em medicamentos e produtos farmacêuticos de alto valor, um crescimento de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior. A maior parte — cerca de 60% — veio da União Europeia, com destaque para a Alemanha. EUA e Alemanha respondem, cada um, por cerca de 15% das importações.
Já os medicamentos mais comuns, sobretudo os genéricos, são amplamente produzidos no Brasil. No entanto, 95% dos insumos farmacêuticos ativos (IFAs) utilizados na produção nacional vêm da China, o que também levanta discussões sobre a dependência externa do país na área da saúde.Para o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi), Norberto Prestes, o Brasil precisa investir em inovação e fortalecer sua capacidade de produção. “Temos a capacidade, temos pesquisadores brilhantes, que acabam indo para o exterior. Nós deveríamos reter esses talentos aqui e desenvolver nosso sistema para aumentar a nossa soberania nesse quesito”, defende. Com a tensão comercial em crescimento, o setor de saúde acompanha com preocupação os próximos passos da política externa brasileira e os possíveis reflexos para pacientes e profissionais de saúde.
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Postado por Rafaela Melo, no dia 30/07/2025 - 12:54