Foto: Divulgação
Essa pergunta tem surgido cada vez mais nos almoços de domingo, nos grupos de amigos e nas conversas de corredor no trabalho. Em tempos de juros altos e renda fixa pagando mais do que há anos, muitos se questionam: vale mesmo a pena colocar o dinheiro em um terreno, casa ou apartamento, ou é melhor ver os rendimentos pingando na conta todos os meses?
À primeira vista, parece uma escolha simples. Mas, na verdade, essa comparação é injusta e, muitas vezes, incompleta.
Investir em imóvel é construir patrimônio
Quando falamos de imóveis, tratamos de algo que vai além do rendimento financeiro mensal. Falamos de patrimônio, segurança e de um ativo físico que, diferente de números em uma tela, tem endereço, pode ser utilizado e tem potencial de gerar renda — seja de forma imediata ou futura.
Claro, não é uma escolha automática. Antes de comprar um imóvel, é preciso analisar variáveis importantes, como: a pessoa tem o valor à vista? Se não tem, os juros do financiamento estão atrativos? Qual o perfil desse investidor ou adquirente? O que se busca com essa aquisição? O imóvel tem potencial de valorização? A região apresenta possibilidade de crescimento econômico?
Há, ainda, um ponto pouco comentado: quase todas as comparações entre imóvel e renda fixa partem do pressuposto de que o investidor possui o valor integral à vista. Mas essa não é a realidade da maioria dos brasileiros. A grande parte compra por meio de financiamento.
Nesse caso, a lógica muda completamente. O comprador não está aplicando “R$ 500 mil” em um ativo único — ele está parcelando ao longo de anos, enquanto usufrui do bem ou o coloca para gerar renda. O que se compara, na prática, é o custo do financiamento versus o potencial de valorização e geração de receita que o imóvel pode oferecer.
É essencial, nesse contexto, analisar o custo efetivo total, pois os juros pagos ao banco impactam diretamente na rentabilidade líquida do investimento. Ainda assim, vale lembrar: mesmo com a Selic elevada, os juros habitacionais no Brasil permanecem em patamares estáveis, por serem atrelados à poupança e a programas de crédito direcionado — o que reduz o impacto direto dos ciclos econômicos.
Comportamento financeiro também influencia
Há também o fator psicológico e comportamental. Algumas pessoas são disciplinadas para investir mensalmente, enquanto outras só conseguem construir patrimônio quando transformam seus planos em boletos. E, sejamos sinceros: se é para ter boletos, que sejam para pagar ativos — e não passivos.
A demanda está mudando — e crescendo
Desde 2022, os aluguéis têm valorizado acima da inflação. Em algumas capitais, o metro quadrado para locação subiu mais de 15% em apenas um ano, refletindo um cenário de demanda aquecida.
Além disso, o comportamento da sociedade mudou. As pessoas estão se casando mais tarde — hoje, em média, aos 35 anos — e essa geração, que antes dividia apartamento com amigos ou permanecia na casa dos pais, busca cada vez mais autonomia, privacidade e liberdade. O crescimento dessa faixa etária impulsiona o mercado imobiliário, principalmente em regiões urbanas com concentração de empregos e serviços.
Os três principais motivos para a compra de um imóvel continuam fortes:
Sair do aluguel;
Trocar por uma residência maior;
Sair da casa dos pais.
Em outras palavras, o desejo de comprar um imóvel não desapareceu — ele amadureceu.
Como o mercado tem reagido?
Desemprego em queda: mais empregos significam mais renda e maior capacidade de compra;
Redução nos distratos: menos desistências indicam maior confiança no setor;
Programas de crédito em expansão: como o Minha Casa Minha Vida Faixa 4, que amplia o público financiável e aquece o setor de construção;
Demanda aquecida: mesmo com juros altos, o número de compradores se mantém. O déficit habitacional no Brasil ainda é expressivo, e as pessoas continuam precisando — e querendo — um lugar para morar.
Comprar imóvel ou aplicar em renda fixa?
A renda fixa oferece rendimento financeiro líquido, previsível e imediato. É excelente para quem busca segurança e liquidez.
Já o imóvel, embora não tenha liquidez instantânea, possui potencial de valorização histórica acima da inflação — desde que bem localizado e alinhado ao crescimento econômico da região. Também pode gerar renda passiva real por meio de aluguéis e oferece algo que nenhuma aplicação digital proporciona: a segurança emocional de saber que existe um teto garantido — seja para morar, alugar ou deixar como herança.
Então, comprar imóvel ainda faz sentido?
Sim, faz. Mas, como qualquer decisão estratégica, exige análise individual. Cada pessoa deve considerar sua renda, perfil de risco, condições de financiamento, necessidade de liquidez e seus objetivos patrimoniais.
Não existe resposta única. Mas há uma verdade incontestável: no Brasil, o imóvel continua sendo um dos investimentos mais seguros e valorizados ao longo do tempo.
Porque, no fim do dia, todo mundo precisa de um lugar para viver. E, como diz o ditado:
"Quem compra terra, não erra."
Só é preciso saber onde, quando e como comprar.

Matheus Camargos Nogueira
Advogado, especialista em Direito Imobiliário.
Sócio fundador do escritório Camargos Nogueira Advocacia
Você está lendo o maior jornal do Alto Paraopeba e um dos maiores do interior de Minas!
Leia e Assine: (31)3763-5987 | (31)98272-3383
Postado por Rafaela Melo, no dia 09/07/2025 - 12:40