Foto: Divulgação/PMC
O evento acontece entre os dias 13 e 20 de abril
A Semana Santa de Congonhas é um dos eventos religiosos mais tradicionais e emocionantes de Minas e do Brasil, reunindo fé, arte e história em uma celebração que atrai milhares de fiéis e turistas todos os anos. A cidade preserva um acervo barroco inestimável, com a Basílica do Senhor Bom Jesus, os profetas de pedra-sabão esculpidos por Aleijadinho e as Capelas dos Passos da Paixão, que servem de cenário para as encenações bíblicas realizadas ao longo da Semana Santa.
O evento acontece entre os dias 13 e 20 de abril, e é organizado pelas paróquias Matriz de Nossa Senhora da Conceição, Matriz de São Jose Operário, Paróquia Mãe da Igreja, Basílica do Senhor Bom Jesus e apoio da Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Cultura. O grupo teatral “Dez Pras Oito” é responsável pelas encenações e figurado bíblico contando com mais de 300 atores, figurantes e técnicos.
Entre os destaques, o ator Amaury Lorenzo, congonhense e estrela da TV Globo, interpretará Jesus Cristo pelo terceiro ano. Sua atuação vem emocionando o público e agregando ainda mais relevância ao evento.
Programação especial
Este ano, a programação trará novidades, como a encenação da Ressurreição de Cristo no Domingo de Páscoa, dia 20 de abril, às 16h, na Basílica, reunindo trechos das cenas mais marcantes da Semana Santa.
A quinta-feira, 11 de abril, que antecede as celebrações, também contará com uma programação. Às 20h, haverá apresentação Musical "Notas da Paixão", com o coral Santa Rita e jovens da Paróquia, na Matriz de Nossa Senhora da Conceição.
Além disso, no sábado, dia 12 de abril, o Coral Cidade dos Profetas fará uma apresentação especial na Igreja da Basílica do Senhor Bom Jesus, às 20h.
No Domingo de Ramos, dia 13, uma apresentação promete emocionar o público. Já na Quarta-feira Santa, 16 de abril, será retomada a encenação da famosa dança de Salomé no Palácio de Herodes, uma cena muito apreciada pelos fiéis.
A encenação da Paixão de Cristo acontece na Sexta-feira, dia 18 de abril, às 18h30, e será seguida pelo Sermão do Descendimento e pela Procissão do Senhor Morto.
No Domingo de Páscoa, 20 de abril, após a procissão de Nossa Senhora, a tradicional encenação da Assunção de Nossa Senhora também será realizada, proporcionando um encerramento de grande significado para a celebração.
A força da tradição e dos seus protagonistas
A semana é um acontecimento que envolve centenas de pessoas, desde os atores no palco até os bastidores, onde há um minucioso trabalho de confecção de figurinos, cenários e adereços, como explica o diretor cênico, José Félix Junqueira, o Zezeca.
Um dos participantes destaque é Geraldo Caleffi, chef de cozinha e ator, que integra as encenações desde 2001.
“Minha trajetória começou com muita dificuldade, pois, pela idade, não me encaixava nos papéis. Até que, um dia, Zezeca me convidou para os ensaios, e desde então nunca mais parei. Já interpretei diversos personagens, como Simão Pedro, João Batista, Herodes Antipas e Simão Cirineu, além de atuar nos bastidores, ajudando na criação de cenários, maquiagem e adereços”, conta.
Atualmente, ele interpreta Herodes Antipas, o governante que interrogou Jesus antes da crucificação. “É um papel desafiador, pois Herodes representa a arrogância e a cegueira espiritual. Minha missão é transmitir ao público a tensão e a injustiça desse momento tão crucial da história de Cristo”. Para ele, a preparação vai além dos ensaios teatrais. “Cada encontro é também um momento de oração e reflexão. Como cristão evangélico, vejo esse trabalho como um chamado. Nossa missão é evangelizar através da arte, levando uma mensagem de fé para todos que acompanham as encenações.”
Outro nome fundamental na tradição da Semana Santa é Carmem Célia Gomes, que interpreta Verônica, personagem que canta o “Oh Vos Homene” ao se deparar com Cristo carregando a cruz. “Ser Verônica é uma honra e uma responsabilidade. Essa tradição está na minha família há gerações”. A cantora, em sua pesquisa de Mestrado, registrou a versão tradicionalmente cantada em Congonhas e resgatou o “Canto das Heus” — também original da cidade —, entoado por três mulheres em resposta ao canto da Verônica.
Nos bastidores, um trabalho fundamental para o espetáculo acontecer é a confecção dos figurinos e armaduras, responsabilidade de Anderson Galdino. Ele começou sua trajetória nos anos 90 como soldado romano na guarda da Matriz e, ao longo dos anos, assumiu diferentes papéis e responsabilidades. “Sempre busquei inspiração nos épicos do cinema para confeccionar as armaduras e figurinos, que considero essenciais para manter viva a tradição e tornar as apresentações mais realistas. Utilizo materiais variados, como napa, tintas e crina de cavalo reaproveitada, para criar peças que tragam autenticidade ao espetáculo”, explica.
Com um número estimado de 20 mil participantes ao longo dos dias, a Semana Santa de Congonhas é mais do que uma tradição: é um espetáculo de fé, arte e cultura que emociona e transforma a vida de todos que dela participam.
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Postado por Rafaela Melo, no dia 04/04/2025 - 12:40