Copa do Mundo chegando e acontece quase como mágica.
De repente, aquela influenciadora que você acompanha começa a mostrar a “melhor camisa oficial”, o “aplicativo perfeito para acompanhar os jogos”, a “promoção imperdível” ou a plataforma que, segundo ela, “todo mundo precisa conhecer”.
E aí surge a dúvida: ela realmente gostou daquilo ou estamos diante de publicidade?
Spoiler jurídico: muitas vezes, é propaganda mesmo.
Nem toda indicação é espontânea
Hoje, influenciadores fazem parte do mercado publicitário.
E não há problema nisso.
Parcerias comerciais são legítimas e movimentam a economia digital. O ponto de atenção aparece quando o consumidor acredita estar diante de uma opinião espontânea, quando na verdade existe uma relação comercial por trás da recomendação.
A famosa “dica sincera” pode ter contrato, cachê e estratégia de marketing envolvidos.
E o consumidor tem direito de saber disso.
Publicidade precisa ser identificada
Vamos imaginar a cena.
Você está no Instagram e vê um influenciador dizendo que determinada plataforma é “a melhor opção para assistir aos jogos” ou que certa promoção ligada à Copa é “imperdível”.
Até aí, tudo bem.
O problema começa quando não fica claro que aquele conteúdo é publicidade.
É justamente aqui que entra o Direito do Consumidor.
O Código de Defesa do Consumidor exige transparência e informação clara. Em outras palavras: propaganda não pode se disfarçar de opinião pessoal.
Hashtags como #publi, #parceria ou avisos equivalentes existem exatamente para deixar a relação comercial visível.
E quando a publicidade induz ao erro?
Nem toda propaganda gera problema jurídico.
Mas publicidade enganosa ou capaz de induzir o consumidor ao erro merece atenção.
Imagine um influenciador divulgando uma promoção inexistente, omitindo riscos ou prometendo vantagens que o produto ou serviço não entrega.
Nesses casos, a situação deixa o campo da simples publicidade e pode gerar responsabilização.
Porque confiança também tem valor.
O consumidor precisa desconfiar de tudo?
Também não.
A internet não precisa virar território de paranoia.
Mas um pouco de atenção ajuda bastante.
Antes de comprar ou contratar algo indicado por influenciadores, vale pesquisar, verificar canais oficiais e observar se existe transparência sobre a parceria comercial.
Entre likes e direitos
A Copa movimenta emoções, marcas e campanhas milionárias.
E os influenciadores são parte importante dessa conversa digital.
Mas uma regra continua valendo dentro e fora das redes: o consumidor tem direito à informação clara.
Porque, no fim das contas, torcida organizada é uma coisa.
Publicidade disfarçada é outra completamente diferente.
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Escrito por Maria Victória, no dia 05/07/2026
Dra. Maria Victória de Oliveira R. Nolasco
Advogada
OAB/MG 207.251
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