Comunidade


Mãe e professora discordam sobre suposta agressão em creche do Pró-Infância

Criança não estaria frequentando turno da tarde; profissional nega as alegações e secretário de Educação afirma que está apurando o caso


Preocupada com o filho, de apenas 4 anos, uma mulher procurou o apoio do Jornal CORREIO em busca de explicações e de uma solução para um caso que, segundo afirma, arrasta-se desde o ano passado. Mãe de uma criança matriculada na creche Pró-Infância do bairro Lima Dias (região noroeste), a fisioterapeuta afirma que não sente mais segurança em deixar seu filho com a profissional, que atua no turno da tarde. A Secretaria Municipal de Educação (Semede) afirma que está acompanhando o caso. Já a servidora também procurou o Jornal CORREIO e negou, de forma veemente, as alegações, afirmando, inclusive, que entrará com um processo por danos morais contra a mãe da criança. Apesar de todas as partes terem se identificado para a nossa equipe, as identidades estão sendo guardadas em sigilo, a pedido das fontes.
Em entrevista à nossa equipe, a mãe afirma ter tomado conhecimento da suposta postura da educadora ainda no ano passado. “O filho da minha amiga teria sido jogado na parede e ainda ouvido xingamentos, como: ‘Sua mãe não gosta de você’; ‘Sua mãe não quer saber de você’. E a partir daí, ele passou a ter sono agitado, mudando totalmente seu comportamento. Na época, minha amiga procurou o secretário de Educação e explicou a ele o que estava acontecendo, mas ele não acreditou nela. Outras mães, na época, também procuraram a Semede”, afirma.
Ainda de acordo com a denunciante, em setembro do ano passado, a professora saiu de licença, mas retomou suas atividades na creche no início do ano letivo, lecionando para a turma do seu filho. “Em março, meu filho chegou com um roxo bem em cima da coluna. Perguntei o que havia acontecido e ele me disse que ‘tinha caído da cadeira’. No dia seguinte, disse que ‘havia caído de novo’. Questionei e ele falou: ‘A tia disse que não pode falar; a tia esquisita me empurrou da cadeira’. Fui à escola e registrei ata. Fui instruída a procurar o Ministério Público. Meu menino foi submetido a um exame de corpo de delito. Fui ao Conselho Tutelar e eles visitaram a creche, mas ela já estava afastada e eles não iam achar nada”, afirma.
Ainda de acordo com a mãe da criança, a professora foi afastada no dia 22 de março e retornou em 7 de agosto: “Marquei uma reunião com as outras mães e expliquei o que estava acontecendo. Elas passaram a observar o comportamento dos filhos e também relataram problemas”, afirma. O assunto, então, teria sido discutido em uma reunião na Semed, no dia 26 de março: “O Moisés tentou me coagir, mas eu disse que não tinha medo dela. Não quero que ela perca o emprego; só não quero que ela fique na sala com crianças. Eu disse ao prefeito que ia procurar o Jornal CORREIO, caso nada fosse resolvido. Meu filho está indo de manhã, porque a equipe desse turno é muito boa, mas não me sinto segura para deixá-lo lá à tarde. Só que isso está prejudicando meu emprego”, desabafa.
Semede responde

Ouvido pelo Jornal CORREIO, o secretário da Educação, Moisés Matias, informou que haverá apuração dos fatos para que sejam tomadas as providências: “Não foi possível ouvir a professora, pois temos que respeitar o período de licença. Fre­quen­temente ouvimos mães e profissionais do Pró-Infância e surgem declarações contraditórias. Continuaremos ouvindo para ter certeza de uma ação justa”. Entretanto, não descarta a possibilidade de falhas na rede pública de ensino. “Entendo que existem reclamações contra algum servidor da rede pública. Temos que trabalhar e buscar o entendimento para que as coisas possam ter o nível dos resultados que as nossas escolas possuem”.
O secretário ainda informou detalhes sobre o período de licença da professora. “A professora estava de licença desde o dia 18 de março, por 15 dias, continuando de licença pelo INSS a partir de 2 de abril por 60 dias. Retornou do INSS em 23 de julho no período de férias, quando terminou o período de afastamento. No 2º semestre da escola, iniciou as atividades no dia 7 de agosto”. Moisés negou a alegação de que teria coagido a mãe da criança. “Nem eu, nem as pessoas que trabalham comigo temos o hábito de coagir. Quem me conhece sabe que minha postura é outra. Não tenho nada contra a mãe”, declara.

Professora nega alegações

Acompanhada de seu marido e de um ad­vogado, a servidora esteve na Redação do Jor­nal CORREIO para apresentar a sua versão e negou, de forma taxativa, os fatos. A professora disse desconhecer as razões do comportamento da mãe e também negou que tenha se afastado do trabalho. “Sou servidora desde 2011 e nunca tive nada que me desabonasse. Nunca recebi menos que 99 nas mi­nhas avaliações de desempenho e não há qual­quer registro anterior. Meu trabalho tam­bém é muito elogiado em Con­gonhas, on­de, inclusive, trabalhei com um autista”, atesta.
Sobre o episódio relatado pela mãe, a professora afirma não ter qualquer envolvimento: “Trabalho com outra pessoa. Como essa pessoa não viu nada? Nossa sala divide porta com outra. Se houvesse algo, a outra professora ouviria. Não vimos nenhum machucadinho na criança. Além disso, as crianças passam por quatro profissionais durante o dia e ela foi constatar isso ao chegar em casa. Quem garante?”, questiona. A servidora também questionou a validade das atas registradas pela mãe e pela escola: “São atas feitas de maneira unilateral, sem a minha presença. Fere todos os princípios constitucionais. Por isso, entramos com um processo por danos morais. E como parece que ela não vai parar, entraremos com outros, por calúnia, difamação e denunciação caluniosa”, finaliza.




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Escrito por Redação, no dia 05/09/2019


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