Opinião


A quem interessa o colapso do transporte coletivo de Lafaiete?



O Jornal CORREIO traça um raio X do transporte coletivo de Lafaiete e esmiúça a realidade cruel  desse setor hoje gerido pela Viacão Presidente. Cerca de 75% da população  usa diariamente os ônibus urbanos para se locomover, ou seja, a cidade é dependente do transporte público e não consegue sobreviver e nem funcionar sem ele. Por isso e também por ser uma concessão pública, o segmento deve ser encarado com seriedade, senso de justiça e, sobretudo, com o cuidado necessário para prestar um serviço com o mínimo de qualidade.

Não é o que acontece hoje na cidade. Prova disso é que a empresa detentora da concessão tem sua parcela de culpa pela situação ter chegado onde chegou, com mais de R$2,6 milhões de prejuízo em 2018. Esse dinheiro, se bem aplicado, poderia ser usado hoje para comprar pelo menos oito ônibus novos. Há de se considerar, no entanto, a omissão, a insensatez  e a inércia de ex-prefeitos e ex-vereadores, que não se importaram com a possibilidade real de colapso e deixaram a difícil situação seguir adiante. Em 2010, por exemplo, (veja reportagem completa na página 10 desta edição) a passagem de ônibus no município era de R$2,60. Passados nove anos, em 2019, a tarifa é de R$3. Ou seja, no período foram apenas R$0,40 centavos de reajuste, ou, em linguagem de gente, 15,40% de aumento.

Os números são frios, irrisórios, cruéis e incompatíveis com quem pretende prestar um serviço de qualidade. É inconcebível que, passado tanto tempo, prefeito e vereadores ainda tentam discutir se a passagem é justa ou injusta e se o aumento vai impactar o comércio, as pequenas empresas e a população de modo geral. O desgaste, é preciso salientar, é inerente ao cargo que os políticos exercem ou deveriam exercer. O fato é que o drama do transporte coletivo em Lafaiete chegou no fundo do poço e, para qual lado as autoridades decidirem seguir, o povo pagará a conta. Ainda é mais conveniente manter a Viação Presidente, com a passagem sofrendo um aumento em torno de 20%, passando de R$3 a R$3,60. Nenhuma outra empresa que assumir o transporte público na cidade aceitará menos de R$4 reais a tarifa. Aí, sim, haverá impacto sem precedentes no comércio e provocará desemprego em escala jamais vista em Lafaiete. O momento, portanto, é de vereadores, prefeito e vice debruçarem em cima de uma solução que possa manter o transporte funcionando. No ato do reajuste, deve-se exigir, de forma gradual, que a empresa detentora da concessão cumpra com suas obrigações de melhorar a frota, com a compra de ônibus novos e melhorias dos carros mais antigos.

Outra frente que deve ser atacada e depende diretamente do Executivo e do Legislativo são as gratuidades. Os números do município são absurdos, o que coloca nossa cidade na liderança negativa do setor. São 37,7% em média de pessoas que não pagam passagem, um dos índices mais altos do Brasil. A média nacional não passa de 15%. Empresa nenhuma, caros leitores, vai querer encarar e administrar um transporte numa cidade cheia de morros, ruas esburacadas, tarifa baixa e com alto índice de gratuidade. O problema é grave e a corda arrebenta sempre do lado mais fraco. Antes que isso aconteça, é necessário encarar o problema, ignorar o desgaste político e agir com serenidade, transparência  e, principalmente, lucidez. Como já dizia o imortal João Guimarães Rosa, ?a vida quer da gente é coragem?.




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Escrito por Redação, no dia 17/02/2019


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