Opinião


Carta para Eutrópio sobre o feijão e o sonho



Essa carta segue para o amigo Eutrópio. Assinalo que não existem rosas no Brasil. Você também não as verá em Nova York e muito menos no Hyde Park, famoso parque londrino. As mulheres de ambos os lugares não lhe oferecerão gants de Suède, ou seja, luvas da Suécia. Qualquer simpósio, banquete, festim que você tenha pretensão de comparecer se verá diante de faces agudas, na maioria sutis ou violentas. Saiba, caríssimo amigo, é impossível coadunar, conciliar, os homens, as mulheres desse mundo todo. Não existe mais o dote para o casamento "perfeito". Sei que os homens andam todos de mãos enclavinhadas, travadas, e que o coração vai de mal a pior. Tudo lhe parecerá sórdido, muito sujo, repugnante, fora do bar, fora da mesa de um bar. Henry James já anotou que a aristocracia inglesa não gosta de médicos americanos, que por sua vez, consideram mesquinhos os brasileiros e poetas e homens que amam os bares onde se despreza a chance da tristeza e do convívio louco com todos do lado de fora. Por conseguinte, lhe aconselho que o caminho seja sempre o mesmo. Nunca abandones o dono do bar, anfitrião majestoso aqui do Brasil. Essa carta lhe aconselha primordialmente que não se aventure em aprender nada de nada. O júbilo, o grande contentamento dessa vida, principalmente no Brasil, é a resignação submersa em um copo de aguardente.

Sílvio Lopes de Almeida Neto

Advogado Criminalista




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Escrito por Redação, no dia 26/10/2018


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