Opinião


O que fazer quando você descobre que seu filho está usando drogas? Confira a segunda parte das orientações



O universo da dependência química e desafios para pais e educadores (parte 2) - A afiliação com pares que são usuários de drogas aumenta as chances de um adolescente apresentar o mesmo comportamento, uma vez que o vínculo com amigos e a pressão grupal são considerados fatores relevantes de riscos entre os jovens. Nas relações familiares, outros fatores de risco podem emergir: padrão educacional excessivamente autoritário ou permissivo; práticas disciplinares inconsistentes ou coercitivas; relacionamento deficitário e conflituoso; dificuldades nos estabelecimentos de limites e regras; tendência a superproteção; padrão familiar não afetivo; familiares que fazem uso de drogas (lícitas e ilícitas); violência sexual, física ou moral.

 Muitos pais, ao descobrirem que seu filho é usuário de drogas, se sentem tomados de culpa e frustrações, passando a reagir com irritabilidade, o que fragilizará, ainda mais, a relação pai-filho com maior distanciamento afetivo, levando, em alguns casos, o jovem a cometer suicídio.

Diante dessa descoberta, a vulnerabilidade da família, fragilizada e angustiada, recomendará suporte terapêutico para se reestruturar e se organizar, reunindo condições de auxiliar adequadamente o filho em seu tratamento.

Assim, as relações familiares, quando estabelecidas de forma saudável desde o início, servem como fator de proteção para o sujeito. Por isso, problemas enfrentados na adolescência, com origem na infância e manejados pelos pais de forma inadequada, podem representar fator de risco no decorrer do desenvolvimento de um jovem. Para o adequado desenvolvimento dos filhos, recomendam-se aos pais o estabelecimento de limites, a organização de regras e o monitoramento. Muitos pais não conseguem perceber a importância de introduzir limites e cometem o equívoco de atender a todas às exigências da criança (depois do adolescente; do jovem; do filho adulto). Quando limites não são definidos, perde-se a possibilidade de transmitir aos filhos a percepção de que o mundo nem sempre será como eles desejam, retardando, na criança, o crescimento emocional e a percepção de mundo. A boa comunicação familiar, a disciplina e um ambiente em que os pais participam da vida dos filhos, incluindo conversar a respeito de drogas, acompanhar suas atividades, conhecer seus amigos e entender os problemas dos filhos, se aproximando de sua realidade  no cotidiano, representam maneiras de desenvolver a prevenção dos riscos associados à droga, no contexto familiar.

Diante do problema de envolvimento do filho com a droga, o tratamento da dependência química envolverá tanto o aconselhamento, por meio de intervenções motivacionais, grupos terapêuticos e psicoterapia individual, quanto o tratamento farmacológico. A forma de tratamento deverá ser definida por um profissional, devendo ser individualizada para cada paciente, pois, cada droga tem suas particularidades, suas características e produz efeitos diferenciados nos organismos igualmente diferenciados. O auxílio terapêutico contribuirá para que o sujeito reorganize suas relações e sua posição frente ao mundo. É um momento de divisão subjetiva em que ele poderá escolher entre  saber de seu desejo, suas aspirações, do que quer para si , mesmo com  toda  a dificuldade que isso traz, tentando produzir uma história particular de sua existência, ou alienar-se, não querendo saber de seu desejo, participando artificialmente da construção de sua história, colocando como alguém que não apresenta expectativa de vida. O adolescente e ou o jovem que adere ao tratamento, e aceita ajuda, consegue enxergar que seu prazer pode se direcionar para outras formas de reconhecimento, consegue deslizar  e sair das drogas por meio do esporte, da música, do trabalho e de outras atividades que, efetiva e afetivamente, o motive.

É relevante lembrar que o tratamento da dependência química é longo, exigindo muita persistência do profissional, da família e, principalmente, do paciente.

Para as pessoas que já sofrem danos decorrentes do consumo de substâncias químicas, mas têm dificuldades ou não desejam parar de usá-las, há alternativas para tornar esse uso menos inseguro. Estas são denominadas de estratégias de "redução de danos". Reduzir danos é olhar o usuário sem focar apenas na abstinência, com encaminhamentos que promovam ganhos de qualidade de vida e mitigue os "danos". A atuação de redução de danos tem uma perspectiva mais ampla, de promoção dos direitos individuais e sociais dos usuários de drogas. Atua na perspectiva transdisciplinar de saúde, cultura, educação e assistência social. Requer-se mais humanização, mais respeito, menos discriminação, com foco na inserção social. É importante reconhecer que reduzir danos não é incentivar o uso. Do mesmo modo, é importante reconhecer que proibir, sumariamente, pode não resultar em superação do problema. Reduzir danos é uma proposta centralizada na pessoa e não na substância, reforçando o princípio da autonomia em uma abordagem humanista, que respeita o direito de livre escolha de cada cidadão.

Como parte desses danos advém da reação social contra os usuários de drogas, excluindo-os para a marginalidade, torna-se necessário reconhecer que os trabalhadores da saúde e a sociedade têm muito a aprender com os usuários no sentido de diminuir os preconceitos e as injustiças perpetradas contra eles.

Observa-se que a violação dos Direitos Humanos, entre os usuários de drogas, incide especialmente sobre aqueles que, em função de desigualdades sociais de várias naturezas, determinadas por pertencimento a certas classes sociais (de etnia ou de gênero; de orientação sexual ou de orientação religiosa), tornam-se estigmatizados e com menos acesso aos espaços de afirmação e de garantia de seus direitos.

 Como abordar as questões inerentes ao universo da dependência química é uma questão complexa, e o contexto social atual parece carecer de ética e de valores coletivos, torna-se necessário e urgente refletir e discutir essas questões. Por isso, vamos continuar com estas reflexões e juntos encontrar novas e interessantes possibilidades de enfrentamento desta problemática.

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Psicóloga:  Renata Fernanda Dias

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Escrito por Redação, no dia 09/05/2018


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